Nova lei avaliação de professores é tipo "Big Brother"


 

Lusa / Ao online   Nacional   24 de Nov de 2007, 15:14

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) defende que a nova lei sobre avaliação de professores baseia-se em "métodos do tipo 'Big brother', que só criarão instabilidade nas escolas".
    Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, afirmou que "o sistema vai pôr os professores sob vigia permanente, aumentando o seu grau de insegurança sobre o trabalho diário, e prejudicando as relações humanas, já que põe os docentes uns contra os outros".

    "É um sistema que aumenta a carga burocrática, com montes de papelada e fichas para preencher", realçou, dizendo que a FNE discorda, nomeadamente da possibilidade de ser o Conselho Pedagógico a impor os objectivos de trabalho aos professores, rejeitando os planos que lhe são apresentados.

    O dirigente associativo falava à margem dos trabalhos do Dia Nacional do Trabalhador Não-Docente que hoje decorrem no auditório municipal de Felgueiras, com a presença de 200 trabalhadores.

    João Dias da Silva considerou, ainda, que o novo diploma legal - que aguarda promulgação pelo Presidente da República - "foi concebido numa lógica de punição da classe docente, de modo a que poucos atinjam os patamares superiores da carreira".

    Frisou que o organismo sindical "é a favor da existência de um sistema de avaliação dos professores, justo e eficaz, mas acentuou que tal tem de servir para melhorar a qualidade do ensino, e não para o contrário como sucederá com a nova lei".

    "Este sistema obriga o professor a definir os seus objectivos e métodos de trabalho, o que, em princípio, é correcto, mas esquece, por exemplo, os factores exteriores às escolas, pois há zonas com alunos com problemas sociais e psicológicos, e outras que não os têm", lamentou.

    Para a FNE, o novo método de avaliação criará instabilidade, deteriorará as relações pessoais entre os professores, e não os motivará, o que só irá piorar os resultados escolares, nomeadamente no insucesso e no abandono".

    Durante a sessão, o dirigente sindical da Zona Centro, João Ramalho, havia avisado de que, se o novo sistema de avaliação tiver quotas e como limite máximo, o "Bom", como foi feito em alguns agrupamentos para funcionários das escolas, "os professores até os comem vivos".

    O Governo aprovou no final de Outubro o decreto que regulamenta o processo de avaliação de desempenho do pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, regras que o executivo tenciona aplicar já este ano lectivo.

    A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, frisou na altura que a avaliação que entrará em vigor terá três dimensões distintas.

    Na primeira dimensão, o processo centra-se numa ficha de auto-avaliação elaborada por cada um dos professores em exercício.

    Depois, na segunda dimensão, o processo de avaliação é desenvolvido pelo professor titular coordenador do departamento disciplinar, que avaliará o desenvolvimento das aulas, os materiais pedagógicos produzidos e a relação do docente com os alunos.

    Finalmente, na terceira e última dimensão, a avaliação é feita pelos conselhos executivos, que, entre outros aspectos, aferem a participação dos docentes na vida da escola, ou os graus de responsabilidade e de assiduidade demonstrados por cada professor ao longo do período lectivo.
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