Criado em 2018 na ilha Terceira, o projeto Azor Basket Campus foi a maneira criativa de um grupo de amigos conseguir estar reunido num ambiente onde todos se sentiam em casa, através do basquetebol.
Mais tarde a iniciativa migrou para a ilha de São Miguel, onde o objetivo se manteve em proporcionar aos atletas locais uma “experiência totalmente diferente” do que era habitual nos Açores, explicou Nuno Rodrigues, organizador do projeto, em entrevista ao Açoriano Oriental.
No Azor Basket Campus o basquetebol vai muito além do aperfeiçoamento técnico dos atletas, pondo os jovens em contacto direto com as restantes áreas do universo desportivo.
A preparação física, a importância da mobilidade - para a prevenção de lesões -, a nutrição e a psicologia - porque “errar faz parte do nosso jogo” - e atividades de team building -, com o objetivo de desenvolver competências sociais - são algumas das áreas que constam no programa destas duas semanas de campus.
Desta forma, esta edição do Azor Basket Campus conta com a participação de profissionais provenientes de várias partes do país e do mundo, com destaque para um nome que é conhecido da NBA, nos Estados Unidos.
Jon Goodwillie, treinador adjunto dos Toronto Raptors durante a conquista do título de NBA em 2019 e treinador da seleção do Canadá, é uma das caras conhecidas que enriquece o Azor Basket Campus.
Para o canadiano, que aceitou o desafio de vir aos Açores partilhar a sua experiência com novos treinadores e atletas, a “barreira linguística” não constitui um problema, porque vão sempre existir outras maneiras de comunicar.
Jon Goodwillie destacou ainda a importância de iniciativas como esta para o desenvolvimento do basquetebol regional. “Dá aos jovens a oportunidade de ver o basquetebol fora da sua área local. Podem competir e tornar-se amigos de jovens que são de outras partes do país e aprender com treinadores de outras partes do mundo”, disse em declarações ao Açoriano Oriental.
Para além disso, esta edição do campus conta com a presença de Michael Price, especialista em Strength & Conditioning da Federação Inglesa de Basquetebol, que considera ter tomado a “melhor decisão” ao aceitar o convite para integrar a equipa, após ter recusado o primeiro, em 2025, por motivos de trabalho.
O também antigo jogador da modalidade, que trabalha com os jovens na área da preparação física, sublinhou o empenho e o interesse dos atletas em aprender.
Os dois treinadores vão proporcionar na noite desta quinta-feira, a partir das 19h00, um “Clinic de Treinadores”, em parceria com a Associação de Basquetebol de São Miguel, na Escola Secundária Domingos Rebelo, aberto a toda a comunidade da modalidade. As inscrições serão feitas no local, sendo a presença acreditada pelo Institudo Português do Desporto e Juventude (IPDJ).
Com este projeto, a organização do Azor Basket Campus pretende, essencialmente, “combater a insularidade e mostrar aos jovens um pouco da realidade nacional e internacional”, acrescentou Vasco Oliveira, o único membro açoriano da equipa técnica.
Num ambiente onde treinadores e atletas convivem durante 24 horas por dia, Nuno Rodrigues confessou que o que sobressai é a “gratidão”, apesar de estarem sempre associadas dificuldades, como o elevado preço das passagens para São Miguel, como referiu Vasco Oliveira.
“Acho que a palavra que fica sempre é a gratidão, estou muito grato pela forma como os atletas se entregam, como estes treinadores trabalham 24/7, como nos vamos entregando uns aos outros para que isto corra da melhor maneira possível. E na cara deles [atletas] o que vemos é alegria, portanto muito gratos por essa reciprocidade de sentimentos”, concluiu.
Em
parceria com clubes locais, como o Operário e o Micaelense, e com o
apoio da ES Domingos Rebelo, da Direção Regional da Juventude, da
Direção Regional do Desporto e do Serviço de Desporto de São Miguel, o
Azor Basket Campus reúne, desde o dia 19 de julho e até 1 de agosto, 75
atletas provenientes de várias partes do país, com destaque para os
jovens açorianos nesta edição, e cerca de 25 treinadores.
