“Hoje não discutimos o que já tínhamos discutido no dezembro, mas os líderes falaram para condenar claramente a atitude [do primeiro-ministro húngaro] Viktor Orbán, para recordar que, uma vez que há um acordo, um acordo é um acordo e que todos os líderes precisam de honrar a sua palavra. Ninguém pode chantagear o Conselho Europeu, ninguém pode chantagear as instituições da União Europeia e precisamos de concretizar isto”, disse António Costa.
No final de uma reunião dos chefes de Governo e de Estado da UE que durou mais de 12 horas, em Bruxelas, o líder desta instituição comunitária saudou “os esforços e o compromisso da Ucrânia em reparar o gasoduto Druzhba destruído pela Rússia”, concretamente o “compromisso público do Presidente [ucraniano, Volodymyr] Zelensky em reparar, nas próximas seis semanas, o oleoduto”.
“A Comissão Europeia ofereceu apoio técnico e financeiro à Ucrânia para garantir que o gasoduto Druzhba seja reparado”, acrescentou.
Porém, de acordo com António Costa, “não se age de boa-fé quando se coloca uma condição que nem a União Europeia nem os seus Estados-membros podem garantir porque só a Rússia é que decide se volta a tentar destruir o gasoduto ou se evita voltar a destruí-lo”.
“A Rússia atacou 23 vezes o gasoduto Druzhba. Pela 23.ª vez, a Ucrânia voltará a repará-lo e, claro, isto não é responsabilidade da Ucrânia, não é responsabilidade da União Europeia, não é responsabilidade da Comissão, do Conselho Europeu ou de qualquer Estado-membro”, elencou.
António Costa reforçou ainda ser “completamente inaceitável o que Orbán está a fazer”, adiantando “que este comportamento não pode ser aceite pelos líderes”.
Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia discutiram hoje durante cerca de 90 minutos o empréstimo de 90 mil milhões à Ucrânia, mas o primeiro-ministro húngaro recusou levantar o bloqueio, mantendo-se o impasse.
Fontes europeias indicaram que, na reunião do Conselho Europeu, Orbán voltou a insistir que, enquanto o país não receber petróleo, também não irá aprovar fundos para a Ucrânia.
A Hungria tem estado a bloquear um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, aprovado no Conselho Europeu de dezembro, por acusar Kiev de estar a bloquear propositadamente a transferência de petróleo para o seu país através do oleoduto de Druzhba.
Não se esperavam avanços nesta cimeira europeia quanto ao empréstimo já que, segundo fontes europeias, Viktor Orbán manteve o seu veto tendo em vista as eleições legislativas húngaras de 12 de abril, nas quais surge em segundo lugar em diversas sondagens.
