“Não é apenas encurtar, é garantir segurança máxima. Nós não alinhámos a nossa opção na pressa, nem no encurtamento. Nós soubemos o sacrifício que estávamos a gerar, apesar de termos encontrado uma via alternativa, através de uma intervenção de Serviços Florestais, para ter a ligação necessária para diminuir o sacrifício. Nós procurámos fazer bem”, afirmou o chefe do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro.
O presidente do Governo Regional inaugurou a obra de estabilização de talude na estrada que liga as freguesias do Raminho e da Serreta, no concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, que representou um investimento de cerca de 2,6 milhões de euros.
Um sismo de 4,5 na escala de Richter, a 14 de janeiro de 2024, provocou uma derrocada na encosta da única estrada que ligava as duas freguesias, levando ao seu encerramento durante mais de dois anos.
A intervenção, numa extensão de 500 metros, foi adjudicada em fevereiro de 2025, por 2,3 milhões de euros, com um prazo de execução de seis meses, mas a estrada só foi reaberta à circulação no dia 02 de abril de 2026.
HNa cerimónia de inauguração, José Manuel Bolieiro sublinhou que foi uma “obra complexa”, que obrigou a agir com conhecimento e sem precipitação, vincando que houve um esforço de “fazer bem feito, no tempo adequado”.
“Tarde é o que nunca chega, e, quando chega bem, vale a pena a espera. Essa era a primeira mensagem que eu queria aqui transmitir, porque sei da inquietude e da ansiedade que resultou deste período”, apontou.
O presidente do Governo Regional lembrou que o sismo de 14 de janeiro de 2024, inserido na crise sismovulcânica de Santa Bárbara, que decorre desde junho de 2022, “implicou a queda de blocos rochosos muito volumosos”.
“Quem quiser minimizar o nível de risco e a exigência prudencial da obra, como ela acabou de ser concebida e realizada, deve reportar a sua memória àquele acontecimento. Felizmente, sem drama, nem tragédia humana, mas, manifestamente, a demonstração do risco e da força da natureza. Nós estamos a intervir na natureza, de modo a que ela seja amiga do uso humano”, frisou.
A regularização do talude, alegou, implicou “escavações, que levaram tempo e que tiveram de ser feitas com segurança para os próprios trabalhadores”.
Foram ainda construídas “banquetas que permitem consolidar o talude”, uma “barreira de proteção e o respetivo muro de suporte”, para assegurar a circulação, com “tranquilidade” de carros e peões, numa zona, situada junto a um miradouro, que é também procurada por turistas.
A obra incluiu também um sistema de drenagem, para ajudar à conservação e manutenção do talude, e a repavimentação do troço.
Perante os autarcas das freguesias afetadas e da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, o chefe do executivo açoriano afirmou que o município fica valorizado com “uma instalação em estrada melhor do que alguma vez teve na história”, na ligação entre o Raminho e a Serreta.
Aos deputados regionais presentes, Bolieiro disse que, no debate político, não se pode “apenas marcar presença no momento da crítica, da reivindicação e da assunção da responsabilidade”, mas também, "testemunhando a qualidade das realizações", "enaltecer o trabalho feito em nome do povo, para o povo e pelo povo”.
