Mulheres representaram no Porto 31 razões para a greve feminista de 08 de março

Mulheres representaram no Porto 31 razões para a greve feminista de 08 de março

 

AO Online/Lusa   Nacional   2 de Mar de 2019, 12:32

Um grupo de mulheres ocupou esta sexta feira parte da rua Santa Catarina, no Porto, protestando de forma performativa contra as condições de vida e apelando para a participação na Greve Feminista Internacional de 08 de março.

Denominada "31 razões para aderir à greve feminista de 08 de março", a iniciativa desenvolveu-se em cerca de 100 metros da artéria da baixa portuense, onde foram representados por mulheres os temas do protesto.

Segundo a organização, a greve é reivindicada por 30 organizações, convocando as mulheres para no Dia Internacional da Mulher, por todo o mundo, "se levantarem em defesa dos seus direitos, mobilizando-se contra a violência, desigualdades e preconceitos".

Denunciando uma "diferença salarial média de 15,8%" relativamente ao que os homens auferem, a organização fez as contas e concluiu que as mulheres "trabalham 58 dias por ano sem receber".

Começando com a violência doméstica e os contornos, desenhados no solo, de uma mulher assassinada, a representação alertou para as "503 mulheres que morreram às mãos de agressores entre 2004 e 2008" e afirmou que a violência doméstica é "o crime que mais mata em Portugal".

Continuando a descer a rua, e rodeada de caixotes onde se lia renda, água, luz, entre outras, Hilária Almeida, de 68 anos, reformada, apelava, a plenos pulmões, para que as mulheres se juntem à greve.

"Venham todos à luta porque a luta é de todas nós, mulheres reformadas. Só assim é que seremos sempre lindas, dignas e perfeitas no amor, isto é que toda a mulher quer ser", gritava.

Em declarações à Lusa e sem perder o fôlego disse: "sou uma sénior entre a juventude, pelas mulheres que estão em casa, que fazem todos os dias a mesma coisa, que têm de aturar os filhos, os netos, e também os ajudar porque foram massacrados pelo Governo e não têm dinheiro nem casa".

"Eu quero ser uma mulher, uma diva, viver uma vida digna até ao fim e não o que estou a viver", acrescentou.

Mais abaixo, junto a um cartaz onde se lia "se não me conheces não me chames querida", Andreia Gama gritava de forma consecutiva "ó boa!", seguido de um apito longo, logo depois imitada pelas quatro mulheres posicionadas atrás.

"O meu grito simboliza o assédio no espaço público", disse à Lusa, argumentando que a "falta de educação de quem lança um piropo começa no indivíduo com ele próprio, do ele para com a sua consciência e depois na sua convivência com as outras pessoas".

Reclamando, por isso, "um espaço seguro para toda a gente, seja no local de trabalho ou no quotidiano", frisou que ambos os géneros "devem ser protegidos" deste tipo de abordagem.

No final da longa representação, Amarílis Felizes surgia sentada ao lado da frase "Salário mínimo precariedade máxima", uma realidade, destacou à Lusa, que "também atinge as mulheres, que com um salário mínimo tão baixo e a falta de dignidade no trabalho são as mais afetadas".

"O apoio social para as creches também não é o suficiente, pois são caríssimas e não públicas, o que obriga, muitas vezes, a mulher a ficar arredada do trabalho", prosseguiu na sua 'lista' particular de reivindicações, com peso também na natalidade.

Lembrando ser Portugal "um dos países com mais baixa taxa de natalidade", enfatizou que embora algumas mulheres queiram ter filhos, "num país com tanta precariedade e um salário mínimo que não dá para pagar uma casa nas principais cidades é óbvio que a natalidade acaba por ser afetada".


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