Sociedade

Muitos portugueses apostam nas vendas em segunda mão para conseguir sobreviver

Muitos portugueses apostam nas vendas em segunda mão para conseguir sobreviver

 

LUSA/AOnline   Nacional   1 de Nov de 2011, 10:12

Muitos portugueses encontraram nas vendas em lojas de segunda mão uma forma de contornar a crise, desfazendo-se de todo o tipo de bens. Alguns optam por “penhorar” artigos para conseguirem dinheiro para sobreviver até ao final do mês.

“Compramos o que não utiliza, vendemos o que não imagina” é a frase que se pode ler afixada nas montras dos Cash Converters, uma cadeia de lojas de compra e venda de artigos em segunda mão muito procurada por quem necessita de ganhar dinheiro rapidamente ou por quem pretende desfazer-se de um objeto que apenas está a ocupar espaço em casa.

Não são as casas de penhores dos tempos modernos, como frisa o supervisor das lojas em Portugal, mas têm uma modalidade - a “Venda recuperável” que representa 10 por cento das vendas -, em que a pessoa pode recuperar o artigo que vendeu no prazo de 30 dias por um valor superior.

“Temos clientes fidelizados que já não podem viver sem isso”, diz Paulo Pereira, contando que há clientes que chegam ao dia 20, de cada mês, vendem o produto como forma de conseguir dinheiro e depois recuperam-no no mês seguinte.

Desempregado há dois anos, Jorge Silva, 45 anos, encontrou neste “negócio” uma forma de arranjar algum dinheiro para as despesas do dia a dia.

Enquanto esperava pela sua vez para ser atendido, Jorge olhava pela última vez para o blusão de ‘motard’ e para um capacete, objetos que o acompanharam durante anos em viagens de mota e que agora decidiu vendê-los.

“Quando fiquei desempregado tive de vender a mota, agora já não faz sentido ficar com eles. Mas tenho pena porque me trazem boas recordações”, lamenta à Lusa.

Ao longo do tempo, Jorge foi desfazendo-se de alguns bens que não lhe faziam falta: “É uma forma de ganhar dinheiro e deixar a casa com mais espaço”, diz sorridente, enquanto olhava para os inúmeros objetos que ocupam as prateleiras da loja em Lisboa.

“Há coisas impecáveis”, salienta.

Na mesma loja, Paulo Jesus procurava uma consola para oferecer como prenda de aniversário à filha: “aqui é muito mais barato e está em muito bom estado. Da maneira como a vida está é uma forma de ganhar dinheiro”.

Paulo Pereira conta que nos cash converters “tudo se compra, tudo se vende e tudo tem um preço. E todos os dias, são “surpreendidos” com artigos que nunca tinha surgido nas lojas.

”Esta semana comprámos um vibrador que ainda estava dentro da caixa e noutro dia uma câmara de filmar subaquática”, elucida.

Estas lojas surgiram em 1984 na Austrália e 14 anos depois abriram portas em Portugal. Desde essa altura e com o atenuar da crise, notaram-se algumas mudanças: “As coisas não mudaram radicalmente, mas há algumas diferenças", diz, exemplificando: “os artigos que as pessoas vendiam há uns anos eram muito mais atuais”.

As pessoas vendiam portáteis, telemóveis, iPod, GPS e tudo que era tecnologia com seis meses para trocar por modelos novos. “Agora isso acontece ao fim de um ano, um ano e meio”, salienta.

Paulo Pereira aponta duas explicações para esta situação: “Ou as pessoas estão a retrair-se e aguentam mais tempo as coisas porque não sabem o dia de amanhã ou não têm dinheiro para comprar”.

Mas também está a acontecer outra situação: “Há pessoas que já venderam todos os objetos de valor que tinham e agora oferecem coisas que já são uma segunda escolha”, casos de pessoas que se desfazem do computador portátil e compram um computador tradicional para conseguir algum dinheiro.

A realidade do país tem vindo a mudar e, apesar do ritmo ter abrandado, o negócio continua a crescer.

“Tendo em conta a situação do resto do comércio, não nos podemos queixar”, remata.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.