Política

Moeda única corre risco de se “desfazer” se BCE não financiar economia

Moeda única corre risco de se “desfazer” se BCE não financiar economia

 

LUSA/AOnline   Nacional   5 de Nov de 2011, 20:31

O dirigente do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, apelou hoje a que o Banco Central Europeu (BCE) mude de política e passe a financiar a economia europeia para impedir o euro de se “desfazer”.

Segundo o professor universitário do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, especialista em macroeconomia, “a Europa só pode responder a esta recessão se puser o banco a financiar a economia e a atacar a especulação, a suportar a liquidez e a evitar o estrangulamento pela dívida”.

A consequência de uma ausência de medidas deste género, segundo Louçã, vai ser o “euro desfazer-se” e com ele “a possibilidade e a obrigação de políticas de convergência de uma Europa que ponha para trás as guerras militares, as guerras comerciais”.

O BCE tem estado a atuar ao nível dos mercados secundários, através da compra de títulos da dívida de países em dificuldades, para procurar baixar os juros aplicados a estes Estados-membros, em particular a Itália e a Espanha.

Porém, o dirigente bloquista alertou que o “risco verdadeiro” é o facto de estarem à frente dos processos decisórios europeus “economistas alucinados que olham para a economia como tendo um desígnio cósmico que é destruí-la o mais possível, o mais depressa possível”.

“O problema da Europa é o que se chama, com algum cinismo, uma lei de Murphy. Tudo o que os dirigentes europeus decidem, corre mal. O grande sucesso de uma quarta-feira é a catástrofe da quinta-feira. É a incerteza da sexta e a certeza de que não pode resultar no sábado de manhã”, afirmou Francisco Louçã, no discurso de encerramento da conferência ‘O Euro e a Crise da Dívida’, que decorreu todo o dia no Porto.

Para o responsável do BE, a “classe dirigente da Europa está podre”, estando a caminhar “para a catástrofe” com a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, aos comandos: “Uma coisa como Merkozoni”.


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