Educação

Ministra considera inaceitável recurso a explicações para combater insucesso


 

Lusa/AO online   Nacional   21 de Set de 2008, 23:33

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues considerou inaceitável que muitos alunos portugueses precisem de pagar explicações para ter nota positiva, afirmando que deve ser a escola a garantir o sucesso.
"Se os alunos tiverem um acompanhamento dos professores dentro da escola que vá para além da sala de aula, as famílias dependerão menos das explicações", disse Maria de Lurdes Rodrigues em declarações à Agência Lusa.
Maria de Lurdes Rodrigues comentava assim um estudo da Universidade de Aveiro que calcula que famílias portuguesas gastem pelo menos 118 euros por mês em explicações para que os seus filhos recuperem de maus resultados ou simplesmente consigam as notas exigidas para entrar num curso superior.
"Não é aceitável que para conseguir que um aluno tenha nota positiva, a família precise de explicação fora da escola, é uma situação com a qual não nos devemos conformar", declarou.
"É preciso trazer a explicação para dentro da escola e contrariar a necessidade de explicação lá fora, é isso que visam medidas como o Plano Nacional de Leitura ou as aulas de recuperação ou substituição", acrescentou.
Maria de Lurdes Rodrigues distinguiu entre um "sistema de explicações que mantém as famílias na sua dependência para conseguir que a criança ou o adolescente passe a matemática ou a inglês e recupere o que não aprendeu na escola" e espaços "que apoiam a família que precisam que as criança estejam ocupadas e trabalhem informalmente fora da escola" a horas a que os pais ainda estão no trabalho.
"Para muitas pessoas, a vida é complicada e a escola pode apoiar as famílias que precisam, por exemplo, prolongando um pouco o tempo de funcionamento das bibliotecas, em articulação com as associações de pais", defendeu.
Maria de Lurdes Rodrigues considerou que é "terceiro-mundista" a prática de recorrer a explicações para passar de ano ou conseguir ter positivas, referindo que é costume em países "em que a escola pública é desqualificada ou desvalorizada, como na América Latina".
"Aí, onde a escola é de má qualidade, as famílias de classe média/alta é que conseguem põem os filhos na explicação. Não é o caso da Europa, onde o sistema educativo é muito forte", argumentou.

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