Merkel advoga diálogo entre Europa e África

Merkel advoga diálogo entre Europa e África

 

Lusa / AO online   Internacional   3 de Dez de 2007, 11:34

A chanceler alemã advogou esta segunda-feira um diálogo "de olhos nos olhos" entre a União Europeia e África, em vez de uma atitude de compaixão da Europa em relação ao continente vizinho.
"Sabemos a tarefa que temos em África, um continente que não devemos abordar com compaixão, mas sim de olhos nos olhos", disse Angela Merkel no Congresso dos democratas-cristãos (CDU), em Hannover, a quatro dias da segunda cimeira UE-África, que reunirá em Lisboa cerca de 80 chefes de Estado e de governo.

Na parte do discurso de Merkel aos mil delegados reservada à política externa, a líder conservadora sublinhou ainda que a defesa dos direitos humanos e dos interesses económicos da Alemanha no mundo "foram, são e serão sempre são duas faces da mesma medalha".

A política centrista que a CDU proclama significa, no plano externo, "dialogar com as grandes potências e não uma submissão", disse Merkel.

A chanceler respondia assim às críticas que alguns quadrantes políticos e económicos lhe fizeram por ter recebido em Setembro, em Berlim, o Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, apesar dos protestos oficiais e manifestações de desagrado da República Popular da China.

A chanceler germânica enalteceu ainda a "estreita amizade" com os Estados Unidos, "que defenderam como ninguém a liberdade e a unidade da Alemanha".

Neste contexto, lembrou que as relações entre a Europa e os Estados Unidos abarcam hoje não apenas o capítulo da segurança e do compromisso comum na NATO, mas também uma parceria económica transatlântica.

"Esta parceria económica com os Estados Unidos é importante para nós, mas não se dirige contra a parceria estratégica com a Rússia", garantiu Merkel.

No entanto, a parceria com Moscovo, que é do interesse comum, também deve saber suportar a crítica, acrescentou a chanceler.

A presidente da CDU reafirmou também, sob fortes aplausos dos delegados, que o maior partido conservador da Europa é contra a adesão plena da Turquia à União Europeia, e a favor de uma "parceria privilegiada" entre Bruxelas e Ancara.

Num discurso marcado por vários ataques ao seu parceiro de governo, os sociais-democratas (SPD), que acusou de terem virado à esquerda, depois de terem tentado ocupar o centro, Angela Merkel desvendou ainda o segredo do sucesso da actual política externa alemã, em contraste com o consulado do antecessor social-democrata Gerhard Schroeder.

"É muito simples, temos um comportamento sério, somos nós que dizemos aos nossos aliados o que pensamos, e além disso dizemos o que fazemos, e fazemos o que dizemos", afirmou a dirigente democrata-cristã.

O Congresso da CDU, principal partido do governo federal, está reunido hoje e na terça-feira, em Hannover, para aprovar um novo programa que sublinha o carácter centrista do partido, e tenta pôr em evidência as diferenças face à esquerda alemã, sobretudo ao SPD.

Merkel defendeu o prosseguimento das reformas laborais e económicas na Alemanha, acusando os sociais-democratas de quererem distanciar-se de decisões que eles próprios tomaram no executivo anterior e de terem voltado a inscrever o socialismo no programa, no Congresso Nacional de Hamburgo, em fins de Outubro.

As críticas ao SPD foram temperadas, no entanto, com várias consignas sociais e Merkel não se coibiu também de condenar o aumento das desigualdades salariais, acusando alguns gestores de "serem cobertos de dinheiro, apesar de terem fracassado em toda a linha".

A chanceler lembrou que o segredo do sucesso da Alemanha é a economia social de mercado idealizada pela CDU, advertindo que, se a parceria e a coesão sociais deixar de funcionar, "o edifício desmorona-se".

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