Médio Oriente: Negociações israelo-palestinianas só com congelamento total das colónias


 

Lusa   Internacional   31 de Out de 2009, 11:44

O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, rejeitou hoje uma oferta da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, para retomar as negociações com Israel sem a suspensão total da colonização israelita.

Abbas encontrou-se com Clinton em Abu Dhabi para debater os esforços norte-americanos para relançar o processo de paz israelo-palestiniano bloqueado desde o fim de 2008.

«Em nome da administração norte-americana, Clinton pediu para serem retomadas as negociações entre as duas partes com base no acordo conseguido por George Mitchell (emissário norte-americano para o Médio Oriente) com Israel, que não prevê uma suspensão total da colonização», declarou o negociador palestiniano Saeb Erakat, ao telefone a partir de Abu Dhabi.

«Nós informámos a secretária de Estado norte-americana que recusávamos esta proposta», acrescentou.

De acordo com Erakat, o presidente da Autoridade Palestiniana já disse a Mitchell, durante um encontro sexta-feira em Abu Dhabi, que «a paragem da colonização é a chave para o reinício das negociações».

No final do encontro com Hillary Clinton, Abbas declarou aos jornalistas não haver «nada de novo» que permita relançar o processo de paz com Israel.

«Israel mantém a sua posição», lamentou Abbas, denunciando a «intensificação da política de colonização» em Jerusalém Oriental (anexada em Junho de 1967 por Israel).

«Esta questão (de Jerusalém) esteve no coração das discussões com Hillary Clinton, disse e acrescentou: «Jerusalém corre perigo e sem Jerusalém não haverá paz».

Abbas exortou «a administração norte-americana, enquanto mediadora, a obrigar Israel (a respeitar) os seus compromissos», incluindo em Jerusalém Oriental, cuja anexação «não foi reconhecida pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional».

A colonização, que Israel recusa suspender completamente apesar das pressões da comunidade internacional, constitui o principal entrave ao reinício das negociações de paz.

Chegada durante a noite aos Emirados Árabes Unidos depois de uma visita ao Paquistão, Clinton desloca-se ainda hoje a Israel para um encontro com o homólogo israelita, Avigdor Lieberman, o ministro da Defesa, Ehud Barak, e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

Os esforços para a paz norte-americanos vão continuar, no princípio da próxima semana, em Marrocos. Clinton vai participar no Fórum para o Futuro, em Marraquexe, durante o qual deverá debater o processo de paz israelo-palestiniano com os seus homólogos árabes.

O relançamento do processo de paz israelo-palestiniano, em ponto morto desde o último Inverno na sequência da ofensiva israelita na Faixa de Gaza, é uma das prioridades da política externa do Presidente Barack Obama, que vê neste dossier a chave para melhores relações entre os Estados Unidos e o mundo árabe.

No entanto, antes de iniciar a visita à região e à cadeia de televisão norte-americana CBS, Clinton afirmou que «não esperava grandes resultados».

«Honestamente, estamos a tentar recuperar oito anos de tempo perdido», argumentou para sublinhar a ruptura com a anterior administração de George W. Bush.


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