EUA

Médico que parou crescimento de criança deficiente suicidou-se


 

Ao online   Internacional   13 de Out de 2007, 22:11

Daniel Gunther, o médico responsável pelo polémico tratamento para travar o desenvolvimento de uma menina com lesões cerebrais, morreu hoje, duas semanas depois de se ter tentado suicidar através da inalação dos gases expelidos pelo seu automóvel.
    Segundo colegas e familiares do médico, de 49 anos, o suicídio não tem qualquer relação com o tratamento da menina de nove anos, Ashley.

    Em 2004, Daniel Gunther era endocrinologista no Hospital Pediátrico de Seattle e professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington quando os pais de Ashley, na altura com seis anos e meio, o consultaram.

    Os pais da menina, que sofria de lesões cerebrais, queriam parar o seu crescimento para que ela tivesse uma vida mais confortável e eles pudessem cuidar melhor dela.

    Com esse objectivo, Gunther decidiu remover cirurgicamente o útero e tecido mamário da criança e submetê-la depois a doses maciças de hormonas para impedir o seu desenvolvimento.

    Apesar da polémica em torno do caso, Gunther defendeu sempre o tratamento médico a que Ashley foi sujeita. Numa entrevista que deu em Janeiro ao Seatlle Post, o médico disse que a sua função "é melhorar a vida dos doentes" e sublinhou que o caso de Ashley "nunca foi um dilema ético" para si.

    Segundo Doug Diekema, especialista em ética médica que assinou, com Gunther, um artigo médico sobre o caso de Ashley, o suicídio do colega nada teve a ver com o caso, apesar das muitas críticas que lhes foram feitas por outros médicos.

    "Nunca tive a impressão de que o Daniel estivesse deprimido por causa do caso de Ashley. Penso que ele se sentia bem com o que fez por aquela família e que foi um caso que lhe deu ânimo", disse, ao jornal Seatlle Times.

    Segundo familiares do médico, Daniel tinha um historial de depressão que estará na origem da decisão de se suicidar.

    Há cinco meses, o hospital Pediátrico de Seattle reconheceu publicamente ter violado a lei ao autorizar a histerectomia (retirada do útero) de Ashley, uma vez que nos Estados Unidos a esterilização de menores só pode ser feita ao abrigo de uma ordem judicial.

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