Eleições na Austrália

Maxine contra Howard, «a decência contra a divisão»

Maxine contra Howard, «a decência contra a divisão»

 

Pedro Rosa Mendes - Lusa / AO online   Internacional   22 de Nov de 2007, 10:45

Maxine McKew, antiga estrela da cadeia ABC de televisão, pode causar no sábado o maior embaraço de John Howard: derrotá-lo no seu círculo, Bennelong, Sydney, onde o primeiro-ministro nunca perdeu eleições desde 1974.

Se não for eleito pelo seu círculo eleitoral, John Howard não pode ocupar de novo a chefia do Governo, ainda que o seu Partido Liberal (LPA) vença as eleições de sábado.

"O que eu pretendo, o que pretende a maioria dos australianos, é uma vitória da decência contra a divisão", declarou hoje à Agência Lusa a rival do líder conservador australiano Maxine McKew, apontada como favorita pelas sondagens.

"É uma eleição muito apertada", sublinhou.

"É um desafio formidável porque eu concorro contra a História, contra o cargo e contra os imensos recursos" dos Liberais, acrescentou Maxine McKew.

"Mas tenho uma confiança tranquila porque este Governo desapontou os australianos em questões fundamentais: o pacote laboral, que vai contra a ideia que temos da nossa própria nação, uma nação justa", explicou.

Mckew acrescentou que "as pessoas ainda querem os seus direitos como trabalhadores defendidos. Não consideram que isso passou de moda, só por serem direitos que foram conquistados há cem anos".

Maxine McKew referiu o pacote laboral aprovado pelo governo de John Howard, conhecido com o nome de WorkChoices, como "a razão singular mais importante para uma derrota dos Liberais".

A candidata do Partido Trabalhista (ALP) em Bennelong esteve hoje com delegados sindicais num estaleiro de construção na comuna de Ryde, na periferia noroeste de Sydney.

Maxine McKew ouviu a preocupação dos trabalhadores sobre a inexistência de desfibrilhadores "num local onde os acidentes são possíveis".

Apresentadora durante uma década de alguns dos programas de informação mais influentes da televisão australiana, Maxine McKew, 54 anos, foi correspondente em Washington e Nova Iorque. Abandonou a ABC em 2006.

"Tem sido uma experiência gratificante ver que a Austrália quer respostas para diferentes problemas, que não têm sido dadas porque ninguém tem ouvido ninguém", afirmou Maxine McKew à Lusa.

"Na questão do Iraque, por exemplo, as pessoas vêm falar comigo, incluindo pessoas com a idade da minha mãe, que tem 84 anos", contou a candidata trabalhista.

"Percorremos 26 mil casas", disse Maxine McKew para explicar o tipo de campanha, "que foi directa, à moda antiga, nas bases, porta a porta, com muitos chás às sete da manhã e muitas conversas em família".

"Foi uma campanha feita pelo que eu chamo o Exército Púrpura", a cor das camisolas da candidatura da ex-jornalista.

Maxine McKew, apesar de se iniciar agora numa campanha eleitoral, tem a seu lado na candidatura um veterano da política australiana, Bob Hogg, que em diversas ocasiões ajudou líderes e chefes de Governo trabalhistas como Bob Hawke e Paul Keating.


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