Mais de 60% dos peixes de água doce em risco de extinção em Portugal


 

Lusa / AO online   Nacional   18 de Out de 2007, 11:50

Mais de 60 por cento das espécies de peixes típicos de rios e lagos de água doce de Portugal encontram-se em riscos de extinção, advertiu um investigador da Universidade do Porto.
Paulo Célio Alves, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, destacou o caso dos ciprinídeos, a maior família de peixes de água doce, com duas mil espécies distribuídas por mais de 200 géneros, e, de entre estes, os saramugos.

Os saramugos são peixes de apenas sete centímetros de comprimento, típicos da bacia do Guadiana.

Em Abril de 2006, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) já tinha advertido, no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, para as ameaças que impendiam sobre os peixes de água doce e migradores.

Paulo Célio Alves, que também contribuiu com o seu trabalho para aquela publicação do ICNB, confirmou que se mantêm os risco de sobrevivência de espécies migradoras como o salmão e o sável - que trocam os mares pelos rios na época da reprodução.

No caso específico do salmão, o investigador associou o risco de extinção a alterações nos cursos de água, já que estes peixes precisam de águas pouco profundas, bastante oxigenadas.

"A construção de barragens é um factor de perturbação muito importante destas condições", frisou o investigador, que falava à agência Lusa a propósito da preparação de uma lista oficial de espécies em vias de extinção nos cursos de água doce da Bacia do Mediterrânico.

A lista está a ser trabalhada por especialistas da União Internacional de Conservação da Natureza, reunidos até sexta-feira no Campus Agrário de Vairão, Vila do Conde, da Universidade do Porto.

Reporta-se a todos os grupos taxionómicos associados a ecossistemas dulciaquícolas, ou seja a peixes, plantas aquáticas, moluscos, libélulas e crustáceos que povoam rios, ribeiros, lagos e lagoas.

Os especialistas, reunidos em Vairão, estão a analisar mais de mil espécies, a maioria (sete centenas) plantas.

A nível mundial existe também uma Lista Vermelha de grupos taxionómicos associados a ecossistemas dulciaquícolas, publicada em 12 de Setembro, que inclui 41.415 espécies das quais 16.306 estão ameaçadas de extinção.

Em 2006 eram apenas 16.118.

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