Luís Carlos Brum eleito para novo mandato no Sindicato Livre dos Pescadores dos Açores

O dirigente do Sindicato Livre dos Pescadores dos Açores, Luís Carlos Brum, foi reeleito para um mandato de três anos, pela única lista concorrente, que promete manter-se na luta pelo “futuro da pesca".



“O maior problema da pesca é a escassez dos recursos marinhos. Dar futuro à pesca será a nossa luta, já que há uma assimetria muito grande entre a lavoura e a pesca na região”, disse Luís Carlos Brum, em declarações à agência Lusa.

O sindicalista já dirige desde há seis anos o Sindicato Livre dos Pescadores, Marítimos e Profissionais Afins dos Açores, com sede em Rabo de Peixe, concelho da Ribeira Grande, ilha de São Miguel.

Nas eleições, que se realizaram na sexta-feira, a lista única obteve 175 votos, zero nulos e zero brancos.

"Foi renovada a confiança e a capacidade de reivindicação nesta lista, que concorreu sozinha, contudo, englobando muitas sensibilidades para permitir um trabalho de luta e empenhamento em prol dos pescadores", sublinhou.

Luís Carlos Brum referiu que "a problemática das pescas é inquestionavelmente a escassez de recursos piscícolas".

"Após um investimento brutal na frota pesqueira, o Governo dos Açores resolve abater embarcações, sem pagar devidamente as mesmas e desta maneira aniquilando o setor. Daí o aparecimento de mais reservas naturais para a recuperação de stocks", apontou.

O dirigente sindical salientou, no entanto, que aquela medida "tem sido exagerada, pois tem-se retirado muito espaço de zonas autorizadas para pesca em benefício da interdição".

É preciso, no seu entender, "dar mais espaço aos pescadores para pescar, criando um maior equilíbrio entre zonas proibidas e autorizadas".

Para o novo mandato, a única lista concorrente compromete-se a "colaborar com a administração regional no incremento de mais formação para os homens do mar, educando-os numa faina mais responsável, de respeito pelos juvenis".

Luís Carlos Brum referiu à Lusa que "a maior parte dos pescadores são jovens", acrescentando que em são Miguel, maior ilha dos Açores, "existem entre 2.000 e 3.000 pescadores que vivem com muitas dificuldades".

"Regularizar as relações de trabalho com contratos individuais de trabalho para as embarcações costeiras de médio e grande porte, reservando e excluindo a pesca local, a qual não possui condições económicas para esta contratação", é outra das linhas do programa de ação.

Para Luís Carlos Brum, defender a Zona Económica Exclusiva, como forma de proteção dos recursos marinhos, é ter “mais soberania fiscalizando a mesma".

O dirigente sindical lamentou que "não tenha sido atribuído em fevereiro" o FundoPesca (uma compensação salarial aos pescadores açorianos quando, em determinadas situações previstas na lei, estejam condicionados no exercício da sua atividade), alegando que "foi um mês de muito mau tempo".


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