Um Pelotão de Atiradores da Região Autónoma dos Açores vai integrar a 8.ª Força Nacional Destacada (FND) de Portugal numa missão internacional da NATO, na Roménia. A força é composta por 34 militares, 25 dos quais naturais do arquipélago dos Açores, e será comandada pelo Tenente Bruno Rodrigues. No total, a 8.ª FND vai levar mais de 200 militares. A partida para a Roménia está prevista para 12 de janeiro, estando prevista uma permanência de seis meses.
O Açoriano Oriental entrou em contacto com três dos mais de 20 militares naturais dos Açores que irão integrar esta missão da NATO na Roménia, recolhendo testemunhos sobre a preparação e as expectativas.
Objetivo de qualquer militar
Para a 1.ª Cabo Bruna Mendonça, esta será a primeira missão internacional da sua carreira militar, representando a concretização de um objetivo há muito ambicionado. A militar açoriana sublinha que o destacamento permite aplicar, em contexto real, a formação e o treino acumulados ao longo do percurso profissional, reforçando simultaneamente o sentido de missão e de serviço ao País.
Apesar do natural nervosismo associado à partida e à distância da família, Bruna Mendonça destaca a confiança no trabalho desenvolvido ao longo do último ano, marcado por uma preparação exigente e rigorosa. A militar acredita que esta experiência irá contribuir para o seu crescimento pessoal e profissional, reforçando a maturidade e permitindo, no futuro, partilhar os conhecimentos adquiridos com outros camaradas que não integram a missão.
Oportunidade única num contexto multinacional
O Sargento Pedro Simas, que já participou anteriormente numa missão de formação na Alemanha, encara este destacamento como mais um momento marcante na sua carreira. Para o militar, integrar uma Força Nacional Destacada é uma oportunidade única de representar Portugal num contexto multinacional, aplicando no terreno a doutrina e os procedimentos treinados em território nacional.
O sargento açoriano identifica como principais desafios a adaptação a um ambiente linguístico, cultural e operacional diferente, bem como a distância da família e da Região Autónoma dos Açores. Ainda assim, sublinha a importância estratégica da missão, destacando que a presença de forças da NATO no leste da Europa reforça a segurança coletiva e a capacidade de dissuasão da Aliança perante potenciais ameaças.
Missões como escola de experiência e partilha
Também o Cabo Adjunto Braga integra a 8.ª FND, naquela que será a sua segunda missão internacional, depois de um destacamento no Afeganistão, em 2021. Para o militar, as missões constituem o momento em que o trabalho do Exército ganha maior significado, permitindo sentir que o esforço diário se traduz numa contribuição concreta e útil, tanto a nível operacional como humano, assumindo que, apesar de não perspetivar continuar no Exército, esta experiência representa uma mais-valia para o seu percurso profissional.
A preparação para a missão na Roménia incluiu treino operacional, avaliações físicas, psicológicas e de saúde, garantindo que todos os militares se encontram aptos para um destacamento prolongado. O Cabo Adjunto Braga destaca ainda a importância de trazer a experiência adquirida no estrangeiro para o território açoriano, contribuindo para a formação de novos militares e para o fortalecimento da instituição.
Um compromisso coletivo
Os militares açorianos sublinham que a missão envolve também as famílias e amigos que ficam na Região, cujo apoio é fundamental. Representar os Açores e Portugal no estrangeiro é, para estes militares, motivo de orgulho e responsabilidade.
