Entrevista

Lei da concorrência está "ferida" no mercado cultural

Lei da concorrência está "ferida" no mercado cultural

 

Rui Jorge Cabral   Regional   28 de Out de 2009, 21:42

A denúncia é feita em entrevista ao Açoriano Oriental pelo editor Fernando Ranha, da VerAçor, que se manifesta contra a forma como se apoia a edição de livros nos Açores. No audiovisual, não poupa críticas à RTP-Açores por permitir a utilização dos seus meios para fins comerciais.

A VerAçor está a preparar um Guia dos Açores que pretende venha a ser uma referência, ao estilo dos guias American Express. Como é que vai ser esse guia?

O guia é um projecto bastante ousado da VerAçor e importante para a Região. O que pretendemos é dar a conhecer os Açores aos potenciais turistas para que eles possam, através do guia, definir a sua viagem e perceberem antecipadamente o que podem fazer nos Açores e como fazer. Queremos um guia comparável ao que melhor se faz a nível internacional e, para isso, contamos com a colaboração de diversos autores na área da história, do património natural e do património cultural. Temos também uma equipa para a selecção da restauração, da hotelaria tradicional e do turismo em espaço rural. Não queremos um guia onde se paga para figurar, mas sim um guia orientado por parâmetros de qualidade que nós definimos para promover os Açores.


Tem desenvolvido uma actividade editorial nos Açores há cerca de oito anos e conhece, por isso, já relativamente bem o panorama cultural açoriano. Que avaliação faz da política cultural nos Açores e, nomeadamente, do seu regime de apoios?

Falando por mim e pela VerAçor, acho que tem havido uma evolução positiva nos apoios que são concedidos e há hoje a preocupação de se fazer melhoramentos na política de apoios, mais precisamente na questão das candidaturas, que era um espaço bastante vago, onde quase toda a gente podia concorrer. Dou-lhe o exemplo do que se passava na minha área: qualquer pessoa podia candidatar-se a publicar um livro e, se passasse na comissão de avaliação, o livro saía sem a preocupação de se perceber se há um circuito comercial para a promoção desse livro. Na minha opinião, quando se dão determinados apoios, é preciso analisar o tecido empresarial que temos e verificar se esses apoios não vão colidir com quem já está no mercado, nalguns casos ferindo mesmo a lei da concorrência.


E em que situações a lei da concorrência é ferida?

Por exemplo quando se formam editoras, não se devem dar apoios à partida, sem que essas editoras mostrem as suas capacidades nos autores que têm, no design que aplicam aos seus livros ou na sua capacidade de comercializar e promover os livros. Só depois de demonstrarem ter capacidades nessas áreas é que se devem equacionar os apoios. Caso contrário, estamos a pôr no mercado editoras que não investiram nada, com livros pagos à partida e, obviamente, com posturas diferentes da que a VerAçor é obrigada a ter. Nós não podemos deixar livros à consignação, porque os direitos de autor também não são à medida que vamos vendendo os livros. Quem já tem o seu lucro assumido está a fazer concorrência desleal...

 

Leia a entrevista completa na edição impressa do Açoriano Oriental de 29 de Outubro de 2009.


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