Jornal de Angola dedica novo editorial às relações luso-angolanas

O diário estatal Jornal de Angola volta hoje a comentar as relações luso-angolanas, dedicando ao tema mais um editorial, o terceiro dos últimos cinco dias, mas desta vez o tom não é depreciativo para com Portugal.


Assinado pelo diretor-adjunto, Filomeno Manaças, o editorial, intitulado "As relações entre Angola e Portugal" são analisadas à luz da recente visita a Luanda de Luís Campos Ferreira, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português.

Sem o mesmo acinte dos editoriais publicados nas edições dos dias 09 e 12, em que Portugal é descrito como "país muito pobre", com "elites corruptas e ignorantes", que se "arreganha" e, em termos de soberania, "pior do que a Guiné-Bissau", desta vez o tom é positivo e projeta a próxima cimeira Portugal-Angola.

"O político português tratou de situar as relações Angola-Portugal no patamar da excelência e assim afastar quaisquer veleidades que possam afetar o seu bom andamento. Avançou mesmo que o objetivo da cimeira luso-angolana é o de ‘agilizar, otimizar e criar um sentido estratégico' para a cooperação bilateral e a sua extensão a novas áreas de interesse mútuo", lê-se no editorial.

Segundo o diretor-adjunto do único diário angolano, Luís Campos Ferreira "não se limitou a dizer meras palavras de circunstância para que os jornalistas tivessem com que preencher espaços nos jornais ou tempos de antena na rádio e na televisão".

"Resumidamente o que podemos inferir das declarações do governante português, com as quais estamos inteiramente de acordo, é que “as relações entre Angola e Portugal têm ainda um grande potencial de crescimento por explorar e elas devem desenvolver-se na base do respeito mútuo".

Filomeno Manaças prossegue depois, tecendo um paralelismo com os efeitos da entrevista à Rádio Nacional de Angola do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros Rui Machete.

"Esperamos que não vá alguém em Lisboa entender que Luís Ferreira deve ir à Assembleia da República dar explicações pelo que disse - e bem dito -, pois não se concebe que as relações entre dois Estados não respeitem premissas básicas", lê-se no editorial.

O elogio ao secretário de Estado português continua com o reconhecimento de que enviou um "recado claro aos que ainda persistem em manchar as relações entre os dois países sublinhando, nas entrelinhas, que Angola e Portugal têm muito a ganhar e muito também a ensinar se souberem suplantar o subjetivismo que, de tempos em tempos, teima em constituir-se em escolho ao normal desenvolvimento da cooperação bilateral".

Com este editorial, o Jornal de Angola dedicou desde o passado dia 06 um total de três editoriais e cinco artigos de opinião às relações luso-angolanas.

Os dois últimos dos cinco artigos de opinião surgem na edição de hoje ao lado do editorial de Filomeno Manaças.

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