"Espero que cheguemos a um acordo", disse Trump aos jornalistas na Florida, acrescentando, em resposta às declarações de Khamenei: "Se não houver acordo, veremos se ele tinha ou não razão".
O líder supremo iraniano avisou hoje que qualquer ataque norte-americano contra o seu país desencadeará "uma guerra regional" no Médio Oriente.
“Não somos os instigadores e não procuramos atacar nenhum país. Mas a nação iraniana desferirá um golpe firme a qualquer um que a ataque ou assedie”, prosseguiu.
Khamenei também endureceu a sua posição sobre os protestos que agitaram o Irão ao longo de janeiro, comparando-os a um “golpe de Estado” que tinha de ser reprimido.
O Presidente norte-americano tem dirigido nas últimas semanas repetidas ameaças de ataque militar no Irão, que começaram por ser justificadas como uma resposta à repressão das autoridades de Teerão dos protestos antigovernamentais ao longo de janeiro.
Posteriormente, Trump exigiu também um acordo sobre a política nuclear de Teerão, reforçando as suas ameaças com o destacamento de uma frota naval dos Estados Unidos para o Médio Oriente, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln.
"Temos lá os maiores e mais poderosos navios do mundo", advertiu o líder da Casa Branca, depois de ter indicado na sexta-feira que Teerão pretendia chegar a um acordo e que tinha sido estabelecido um prazo não divulgado.
As palavras de Ali Khamenei foram hoje reforçadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, que, em entrevista à cadeia televisiva norte-americana CNN, considerou que uma guerra com os Estados Unidos não “é inevitável”, embora adicionando que seria “uma catástrofe para todos” se fosse iniciada.
“Não considero uma ameaça existencial, mas será certamente uma grande ameaça para todos. Se uma guerra começar, será uma catástrofe para todos”, declarou Abbas Araqchi.
O chefe da diplomacia de Teerão referiu que, dada a dispersão das bases americanas no Médio Oriente, “grandes partes da região seriam envolvidas, e isso seria extremamente perigoso”.
Araqchi pediu racionalidade para evitar a guerra, apesar de reafirmar que as Forças Armadas "estão preparadas para qualquer cenário", mais ainda do que no anterior conflito, em junho passado, quando a aviação norte-americana bombardeou instalações nucleares iranianas, no final da guerra de 12 dias entre Israel e a República Islâmica.
O ministro referiu que a troca de mensagens com Washington, através de intermediários, tem sido “frutífera”, mas ressalvou que Teerão precisa reconstruir a confiança após a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015 e os bombardeamentos de junho.
“Estamos a trabalhar com os nossos amigos da região para encontrar uma forma de criar este nível de confiança e retomar as negociações”, observou.
Abbas Araqchi reiterou, no entanto, que o Irão deve ver reconhecido o seu direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e que as sanções internacionais devem ser retiradas.
A entrevista à CNN surge após o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Ali Larijani, ter comentado na rede X que estão a ser feitos progressos no estabelecimento de uma estrutura para as negociações com os Estados Unidos.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou, numa audição na quarta-feira na Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado em Washington, que o Irão está "mais fraco do que nunca", com a economia “em colapso”, e, ao contrário do que acontecia no passado, o regime mostra-se incapaz de responder às reivindicações dos protestos.
Na semana passada, as autoridades iranianas anunciaram que pelo menos 3.117 pessoas morreram nos protestos, iniciados em 28 de dezembro contra a elevada inflação e desvalorização da moeda nacional.
Os números oficiais são contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.
Irão: Trump reafirma que espera um acordo com Teerão
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse que espera um acordo com o Irão, após o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, ter alertado para o risco de uma "guerra regional" se a República Islâmica for atacada.
Autor: Lusa
