Instituto de Meteorologia "cobra" por dados para fins científicos

Instituto de Meteorologia "cobra" por dados para fins científicos

 

Lusa/AO online   Regional   17 de Out de 2011, 14:14

O investigador universitário Eduardo Brito acusou hoje o Instituto de Meteorologia (IM) de “cobrar” por dados meteorológicos e climatológicos para fins científicos, que “deviam estar ao serviço da população e das entidades científicas”.

“Solicitei os dados na região mas remeteram-me para Lisboa. Fiz o pedido por escrito e, meses depois, chegou a resposta com uma tabela de custos para a cedência dos dados”, afirmou Eduardo Brito, responsável pelo projeto Clima e Meteorologia dos Arquipélagos Atlânticos - Clima Marítimo e Costeiro (CLIMAAT), em declarações à Lusa.

O investigador frisou que o IM se “refugiou na sua condição de instituto que gera receitas para justificar a cobrança dos dados”, mas questionou se “são um serviço ou um negócio que cobra às pessoas que o sustenta?”

Eduardo Brito denunciou ainda que “até os alunos que estão a fazer teses científicas nesta área têm de pagar os dados”, acrescentando que o responsável do IM nos Açores respondeu às solicitações dizendo que o acesso aos dados estava "condicionado a projetos com interesse”.

“Era o que faltava, ser o IM, que é um serviço e não um centro de investigação científica, a decidir o que o são projetos com interesse científico”, afirmou, defendendo que “o acesso aos dados deve ter um critério técnico e não de livre arbítrio”, até porque a Universidade dos Açores "também tem estações, mas precisa dos dados mais antigos para fazer as comparações".

Para Eduardo Brito, o IM “devia ter (nos Açores) uma delegação ou serviço com autonomia de decisão, incluindo nos investimentos que salvaguardem o interesse específico, e não comandada por Lisboa, que tem outras prioridades”.

“Os Açores possuem dos melhores espólios do país, recolhidos desde há mais de uma centena de anos por muitos funcionários que cobravam uma ninharia para ir aos postos e agora cobram a consulta dos dados”, lamentou.

Por seu lado, Diamantino Henriques, diretor regional dos Açores do Instituto de Meteorologia, assegurou à Lusa que “os dados estão disponíveis, nomeadamente os que são públicos e que dizem respeito à precipitação e temperatura”.

“O que se cobra é o trabalho de os ordenar porque o que pedem está no meio de múltiplas recolhas de variadíssimos dados, e para isso é preciso um funcionário”, sustentou, esclarecendo que “os dados estão arquivados em bruto e, quando solicitados, têm de ser sistematizados e fornecidos prontos a usar, o que justifica a cobrança que o IM faz”.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.