Indústria têxtil considera que "a China continua a ser mais uma ameaça do que uma oportunidade"


 

Lusa / AO online   Economia   24 de Abr de 2010, 13:08

A dimensão do mercado e o potencial de crescimento faziam crer que a China oferecia oportunidades à indústria têxtil e do vestuário portuguesa, mas o país organizador da Expo 2010 continua a ser "uma ameaça".

"A China continua a ser mais uma ameaça do que uma oportunidade", defendeu o diretor geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), a uma semana do início da maior exposição universal de sempre em Xangai,o centro económico e financeiro da China.

Em declarações à Lusa, Paulo Vaz afirmou que "com a dimensão do mercado e o potencial de crescimento, a China é uma oportunidade, mas infelizmente continua longínqua", realçando que "continua a ser muito fechada para o exterior e muito agressiva na sua política comercial de exportação".

Segundo o responsável da ATP, "hoje em dia, a balança comercial continua a ser praticamente a mesma de há cinco anos, [altura em que o comércio foi liberalizado], ou seja, a China vende 26 vezes mais à Europa do que a Europa vende à China".

Para Paulo Vaz, "a China trabalhou muito bem, pressionando politicamente alguns blocos comerciais, nomeadamente a União Europeia", que, acrescentou "foram na cantiga e escancararam as portas aos produtos chineses, convencidos de que a China faria o mesmo".

"Esta ilusão de que o mercado chinês seria uma porta bastante larga para colocar produtos de maior valor acrescentado, com mais tecnologia, acabou por não acontecer", criticou o representante de 600 empresas do setor têxtil e do vestuário, com um volume de negócios de três mil milhões, dos quais dois terços faturados nos mercados externos.

"A China utiliza todos os expedientes possíveis e imaginários para barrar a entrada de produtos e para exportar os seus produtos", acusou o diretor geral da ATP, que considera que as únicas empresas que beneficiaram da liberalização do comércio foram as que têm uma rede de retalho, que compram à China parte da sua coleção, conseguindo oferecer ao cliente preços mais atrativos.

Paulo Vaz referiu ainda a participação nas feiras internacionais no mercado chinês de empresas especializadas em matérias primas de alto valor acrescentado, como a Arco Têxteis, a TMG, a LMA - que comercializam tecidos e malhas naquele país.

Cinco anos depois da liberalização do comércio, o diretor geral da ATP reafirma a convicção de que "será sempre impossível competir com práticas contrárias ao comércio internacional", referindo-se aos "artifícios que tornam mais barato o que já é barato, sem qualquer preocupação ambiental ou social".

A Expo Xangai abre portas a 01 de maio, com o tema " Melhores Cidades, Maior Qualidade de Vida", um evento em que são esperados 70 milhões de visitantes e que termina a 31 de outubro.

As multinacionais e as marcas internacionais contam com o número de visitantes - 95 por cento dos quais chineses - para se apresentar aos consumidores e ao mercado da China.


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