Inclusão de crianças deficientes passa por aplicar convenções que as protegem

Ratificar e aplicar as convenções internacionais sobre os Direitos da Criança e das Pessoas com Deficiência deve ser o primeiro passo para construir sociedades mais inclusivas, defende a UNICEF no relatório sobre a Situação Mundial da Infância 2013.


O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indica no relatório que “nos termos da Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) e da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), governos de todas as partes do mundo chamaram a si a responsabilidade de garantir que todas as crianças, com ou sem deficiência, desfrutem dos seus direitos sem qualquer tipo de discriminação” e que, até fevereiro deste ano, 193 países já tinham ratificado a CDC e 127 países e a União Europeia já tinham ratificado a CDPD.

Quanto à dimensão do sujeito do estudo, a agência especializada da ONU aponta que, "apesar de uma estimativa amplamente utilizada indicar que 93 milhões de crianças – ou uma em cada 20 crianças com 14 anos ou menos – vivem com algum tipo de deficiência moderada ou grave, essas estimativas globais são essencialmente especulativas”.

Na introdução, é dado o mote sobre o sujeito do estudo: “Relatórios como este normalmente começam com uma estatística para dar destaque a um problema. As meninas e os meninos aos quais é dedicada esta edição do relatório Situação Mundial da Infância não são problemas”.

O problema está identificado e é, sim, o que acontece “em muitos países: as respostas à situação de crianças com deficiência são amplamente limitadas a institucionalização, abandono ou negligência”.

“Essas respostas são o problema, e a sua origem são suposições negativas ou paternalistas de incapacidade, dependência e diferença, perpetuadas pela ignorância”, sublinha o documento.

“[As] crianças com deficiência encontram diferentes formas de exclusão e são afetadas por elas em níveis diversos, dependendo de fatores como o tipo de deficiência, o local onde moram e a cultura ou a classe social a que pertencem”, sendo “o género também um fator crucial”, lê-se no relatório.

São as meninas quem tem menor probabilidade que os meninos de receber cuidados e alimentação, e maior probabilidade de ser excluídas das interações e atividades familiares, indica a UNICEF, precisando que “meninas e mulheres jovens que têm deficiência são ‘duplamente prejudicadas’”, porque “enfrentam não só o preconceito e as iniquidades que afetam muitas pessoas com deficiência, mas sofrem também as restrições impostas por papéis e barreiras tradicionais associados ao género”.

“Em comparação com meninos com deficiência, [as] meninas com deficiência têm menor probabilidade de receber educação e capacitação profissional, ou de conseguir emprego”, conclui o estudo.

Para inverter este estado de coisas e melhorar a vida das crianças com deficiência, o relatório aponta como medidas importantes “combater a discriminação, eliminar as barreiras à inclusão, eliminar a institucionalização, dar apoio [financeiro] às famílias, ir além de padrões mínimos [avaliando continuamente a qualidade dos serviços de apoio], coordenar serviços de apoio à criança e envolver crianças com deficiência na tomada de decisões”.

E, ainda, “para cumprir as promessas contidas na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e na Convenção sobre os Direitos da Criança”, que “agências e doadores internacionais, assim como os seus parceiros nacionais e locais, devem incluir as crianças com deficiência nos objetivos, nas metas e nos indicadores de todos os programas de desenvolvimento”, até porque “dados confiáveis e objetivos são importantes para auxiliar o planeamento e a alocação de recursos, e para inserir as crianças com deficiência de forma mais visível na agenda de desenvolvimento”, conclui o relatório.

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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)