Em declarações à Lusa e a RTP à margem do Conselho Regional dos Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, em Ponta Delgada, Alonso Miguel referiu que vai ser possível “nesta época balnear reabrir os banhos do ilhéu de Vila Franca”, o que considerou “bastante satisfatório”, face à sua importância para os locais e turistas.
O secretário regional do Ambiente e Ação Climática recordou que “havia um compromisso por parte do Governo Regional de continuar a monitorizar e a fazer os trabalhos na zona balnear”, tendo sido desenvolvidas análises às águas, em conjunto com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), das quais “resultou a classificação de aceitável”.
O ilhéu de Vila Franca do Campo, classificado como reserva natural e que integra a Rede Natura 2000, esteve interditado a banhos no verão de 2025, devido aos resultados da qualidade da água dos últimos cinco anos, tendo sido permitida apenas a visitação.
“Se a análise fosse feita relativamente a 2025, a qualidade seria excelente, mas do ponto de vista das obrigações legais tem que considerar os efeitos dos últimos cinco anos e o somatório revela uma qualidade aceitável”, explicou o governante.
Alonso Miguel adiantou que a exploração da ligação marítima de Vila Franca do Campo ao ilhéu vai manter-se nos mesmos moldes, continuando a ser assegurada pelo Clube Naval local, enquanto a capacidade de carga será de 400 pessoas por dia, com 200 pessoas em simultâneo no interior da cratera.
A primeira classificação negativa da qualidade das águas do ilhéu ocorreu em 2020 e no ano seguinte foi criado um grupo de trabalho, que integrou representantes do Governo Regional, do município de Vila Franca do Campo e da delegação de saúde, entre outras entidades.
Em abril de 2025, um grupo de cidadãos defendeu a implementação urgente de medidas para mitigar o impacto da interdição a banhos do ilhéu, alertando que a reserva natural é um "pilar económico e social" da comunidade.
Conforme referiram, estima-se que durante os quatro meses da época balnear o ilhéu "receba entre 35.000 e 40.000 visitantes", o que corresponde a uma receita direta de "aproximadamente 360.000 euros provenientes apenas da venda de bilhetes”.
No entanto, consideraram que o impacto económico real do ilhéu “vai muito além da bilhética”, destacando que a maioria dos visitantes consome refeições em restaurantes e cafés de Vila Franca do Campo, adquire produtos em lojas locais, utiliza serviços de empresas turísticas e, em muitos casos, opta por pernoitar em unidades de alojamento local.
"Com base em estimativas conservadoras de consumo médio por visitante (entre 40 euros e 60 euros), estima-se que o impacto económico global associado à presença do ilhéu ultrapasse os 3,5 milhões de euros por época balnear", realçaram.
Com vista a recuperar a vegetação nativa e melhorar o habitat das aves marinhas, este ilhéu foi intervencionado ao abrigo do Projeto LIFE “Ilhas Santuário para Aves Marinhas”.
Este ilhéu, inicialmente classificado como Reserva Natural em 1983, integra a Área Protegida para a Gestão de Recursos da Caloura – Ilhéu de Vila Franca do Campo, a Zona de Reserva Integral de Captura de Lapas e o programa ambiental Biótopo CORINE.
A geopaisagem constitui ainda um geossítio do Açores Geoparque Mundial da UNESCO.
