Hospitais estendem serviços pediátricos até aos 18 anos

 Hospitais estendem  serviços pediátricos até aos 18 anos

 

Lusa/AO Online   Nacional   29 de Dez de 2009, 07:37

Dezenas de hospitais do país já adaptaram os serviços de pediatria e estão a assistir jovens até aos 18 anos. Outros irão fazê-lo em 2010, seguindo uma recomendação universal do alargamento do atendimento pediátrico até àquela idade.

A medicina pediátrica estabelecia como idade máxima os 14/15 anos, mas a Carta Hospitalar e de Cuidados Pediátricos em Portugal, redigida pela Comissão Nacional de Saúde da Criança e Adolescente (CNSCA), defende o atendimento até aos 18 anos num serviço de pediatria, seja a patologia médica ou cirúrgica.

“Os hospitais estão a tentar readaptar-se a esta necessidade e a esta obrigação. Há uns mais avançados do que outros”, disse à agência Lusa o presidente da CNSCA.

Bilhota Xavier adiantou que “dezenas de serviços de pediatria” já fazem este atendimento e avançou que a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte obriga, a partir de Janeiro, todos os serviços pediátricos da região a atenderem até aos 18 anos.

“Nas outras regiões não houve este compromisso, mas há muitos serviços que atendem até aos 18 anos, como o Hospital de Leiria”, afirmou Bilhota Xavier, que dirige o serviço de pediatria daquela unidade.

O responsável está convicto de que, a “muito curto prazo”, todos os serviços de pediatria adoptem este alargamento: “Aquilo que foi feito na ARS Norte tem de ser, de algum modo, seguido pelas outras ARS”.

No Hospital Pediátrico de Coimbra, o atendimento continua a ser até aos 13 anos por falta de capacidade física, o que deverá mudar com a transferência para novas instalações, prevista para Junho de 2010, disse o director do serviço pediátrico, Rui Batista.

Em Faro, o Hospital alargou este ano o atendimento pediátrico até aos 16 anos e está a equacionar estender até aos 18 em 2010, segundo a administração.

Desde 2005, o Hospital D. Estefânia (Lisboa) tem a funcionar uma Unidade de Adolescentes. “Atendemos, igualmente, jovens e adolescentes no serviço de Ginecologia e Obstetrícia, pelo que temos ‘know-How’ e instalações adequadas” até aos 18 anos, segundo o hospital.

O mesmo se passa no Hospital de Santa Maria (Lisboa). “Como é um hospital geral, temos uma maleabilidade que nos permite tratar estes jovens”, adiantou o director clínico.

Neste hospital, “não há o problema que se coloca nos hospitais pediátricos, onde o alargamento tem um impacto directo porque o hospital terá de fazer adaptações” físicas, sustentou Correia da Cunha.

Para Bilhota Xavier, a principal adaptação relaciona-se com a formação dos profissionais de saúde. “É diferente trabalhar com um bebé que pesa 500 gramas e um jovem de 16 anos, que pode pesar 100 quilos e está numa fase de maturação completamente diferente”, justificou.

Em termos de internamento, o principal obstáculo é que alguns serviços não estavam preparados para facultar a privacidade a que os jovens têm direito, disse o responsável.

Para Bilhota Xavier, o alargamento até aos 18 anos traz grandes benefícios, já que os jovens estavam "um pouco perdidos” no sistema de saúde. Os jovens eram deixados em idade pediátrica e às vezes os médicos de adultos não tinham formação para lhes prestar os devidos cuidados.

Avançou ainda que há uma estratégia para quando os jovens tiverem de transitar para outros médicos aos 18 anos: “Pretendemos que a transição não seja muito turbulenta e que haja um período de cuidados partilhados entre os médicos pediatras e os de medicina interna”.

Questionado pela Lusa sobre se os pediatras que existem são suficientes, o médico afirmou que “existem os recursos necessários” para esta alargamento.

Em 2008, havia 320 141 jovens com idades entre os 15 e os 17 anos em Portugal.


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