Homem encontrado morto na Covilhã não tinha sinais de agressão violenta


 

Lusa / AO online   Nacional   29 de Out de 2007, 16:11

O homem morto na Borralheira de Orjais no domingo tinha todos os membros amarrados ao gradeamento de um café e a um carro, mas sem sinais de agressão violenta, disseram esta segunda-feira testemunhas oculares no local à Agência Lusa.
Fonte ligada à autópsia hoje realizada no Hospital da Covilhã, que levou à requisição de exames complementares, confirma também que não há sinais de que a vítima tenha sido alvo de agressões violentas.

João Inácio, de 42 anos e residente na aldeia, foi encontrado morto pelas 06:20 de domingo, suspenso por um braço e uma perna, amarrados a um cadeado e a um gradeamento de um café, e com outro braço e perna unidos, atados a um carro.

Quatro jovens foram entretanto detidos pela Polícia Judiciária (PJ) e estão a ser ouvidos no Tribunal da Covilhã, onde foram recebidos com palavras de ordem e alguns apupos.

Apesar de não serem conhecidos detalhes da autópsia, todos os residentes na aldeia referem que João Inácio era um ávido consumidor de bebidas alcoólicas e tinha problemas de asma, que o faziam estar sempre apetrechado com um aparelho para auxiliar a respiração.

No centro da aldeia da Borralheira de Orjais, o café Regional hoje não abriu portas.

No entanto, o local tem sido alvo de romaria da população, que pára no café Cunha, mesmo em frente.

Um jovem brasileiro, que passava férias na aldeia, será um dos envolvidos no caso. Um outro com problemas mentais e outros dois rapazes, todos residentes na Borralheira de Orjais, estão a ser ouvidos no Tribunal da Covilhã.

"Isto foram copos a mais. Mas o que fizeram, não se faz a um animal", comentou um dos residentes no local, um dos que observou o corpo da vítima, antes de ser retirado do local, o que só viria a acontecer perto das 12:00 de domingo.

"Estava amarrado de tal forma que era impossível mexer-se", descreve. Habitantes da aldeia e familiares relatam que o indivíduo foi alvo de uma brincadeira de um grupo.

A mãe de um dos jovens detidos disse esta manhã à Agência Lusa que havia mais pessoas para além dos quatro detidos num grupo que se juntou à porta do café central da aldeia, depois de este ter encerrado, entre os quais pelo menos uma pessoa de cerca de 40 anos.

No grupo, com uma grade de bebidas alcoólicas que continuaram a consumir pela noite dentro, estaria a própria vítima que veio a ser amarrada e depois abandonada, não se sabe em que estado, nem se com consentimento.

"Quem lá passou disse que, entre as quatro e cinco da manhã, aquilo era uma tourada", acrescentou outro residente, mas sem detalhes. A Agência Lusa passou pelas residências de outras duas pessoas apontadas pela população como testemunhas, mas sem encontrar ninguém.

Segundo os relatos, é hábito o local servir de ponto de encontro até altas horas da madrugada. Os vizinhos confirmam ter ouvido o barulho feito pelo grupo, mas nenhum notou algo fora do normal, nem imaginou o que se passava.

Francisco Proença mora a poucos metros do local e saiu na sua viatura às 6:00  de domingo (hora local) para a caça, mas disse à Agência Lusa que só viu o carro vermelho ao qual João Inácio estava amarrado.

"Só vi o carro. Mas havia outra viatura mais atrás, onde estava um casal, que se agachou quando em passei", relata, escusando-se a entrar em detalhes.

Pouco depois passou pelo local uma sobrinha de João Inácio que encontrou o corpo e deu o alerta ao irmão da vítima, António José, que por sua vez avisou as autoridades às 06:21.

"Eu quero que se faça justiça", disse hoje António José à Agência Lusa. "Ele era uma pessoa pacata, não fazia mal a ninguém", descreve, num registo sublinhado por toda a população, recordando que esteve com o irmão, pela última vez, na sexta-feira.

"Não se pode deixar que as pessoas que fizeram isto andem por aí à vontade", sublinha.

Divorciado e sem filhos, a vítima vivia em casa dos pais e prestava serviços como pedreiro a quem o contratava.

Segundo Mário Bento, coordenador da PJ da Guarda, para além dos quatro suspeitos, os inspectores que investigam o caso identificaram mais três pessoas.

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