Santa Cruz da Graciosa recupera casas das lavadeiras para fins turísticos e culturais

O município açoriano de Santa Cruz da Graciosa vai recuperar todas as casas das lavadeiras (lavadouros públicos) do concelho para criar um roteiro turístico e dinamizar culturalmente os espaços outrora utilizados pelas mulheres para lavagem de roupa.



As casas das lavadeiras estão dispersas pelas quatro freguesias do concelho (Guadalupe, Luz, Santa Cruz e São Mateus) e a autarquia está atualmente a reabilitar o lavadouro público do Corpo Santo, em Santa Cruz, após ter realizado, em 2025, duas intervenções em equipamentos situados na freguesia da Luz.

Com a intervenção em curso, o único município da ilha Graciosa, no grupo Central dos Açores, dá continuidade ao objetivo de recuperar e preservar o património relacionado com a arquitetura da água.

Segundo disse hoje à Lusa o presidente do município, António Reis, o propósito da Câmara Municipal é recuperar a totalidade das casas das lavadeiras existentes no concelho, cerca de uma dúzia, com destaque para a freguesia da Luz, que possui cinco construções.

As casas das lavadeiras são edifícios pintados de branco, que têm no interior tanques individuais para lavagem de roupa à mão e espaços apropriados para secagem, com tetos em madeira e coberturas em telha tradicional.

Com as obras em curso, a intenção da autarquia, para além de ter o património edificado “atualizado e mantido”, é destacar as casas das lavadeiras, que também fazem parte do projeto relacionado com a arquitetura da água, para que “toda a população graciosense tenha a noção da importância que é poupar um bem que é finito”, tanto mais que na ilha Graciosa existe água potável com “pouca quantidade e qualidade”, indicou.

António Reis recordou que os edifícios dos lavadouros públicos são históricos, pois eram os locais “onde as senhoras, há muitos anos”, antes da proliferação das máquinas de lavar, lavavam e estendiam a roupa para secar.

O objetivo do município é “chegar a todas as casas das lavadeiras, deixá-las todas recuperadas, bem apresentadas, para que possam ser visitadas, por interesse cultural, mas também fiquem funcionais, se alguém tiver a intenção de as usar”.

O presidente da Câmara Municipal referiu à Lusa que alguns edifícios estão mais danificados do que outros e que as intervenções previstas vão desde pinturas a pequenos arranjos nas estruturas e nas coberturas (tetos em madeira e telhados).

O município de Santa Cruz da Graciosa prevê investir 100 mil euros na reabilitação de todas as casas das lavadeiras da ilha e gostaria que as intervenções fossem concretizadas este ano, ainda antes do verão.

Depois de as obras estarem concluídas, o objetivo da autarquia passará por instalar em cada lavadouro público uma placa com ‘QR Code’ e criar no local “informação suficiente” para quem quiser visitar os equipamentos “poder saber porque é que existiam aquelas casas”.

“E, ao mesmo tempo, criar também uma possibilidade de podermos, com eventos culturais, com a declamação de poemas, com a atuação dos nossos grupos folclóricos ou de cantares tradicionais, com as nossas [bandas] filarmónicas, fazer o roteiro das casas das lavadeiras com esse tipo de animação”, prosseguiu.

“[O objetivo é] criar aqui um roteiro não só de visita, mas também com a dinamização daquilo que é o nosso património musical”, acrescentou.

O município açoriano da Graciosa já dinamiza a Rota da Água, que inclui o Reservatório de Água do Atalho, um tanque de água desativado, localizado em Santa Cruz da Graciosa.

Segundo informação da autarquia, a Rota da Água “é uma viagem pelo engenho e esforço da comunidade local em ultrapassar a dificuldade da falta de água”, pois “a escassez obrigou à construção de uma rede de recolha e gestão da água com o aproveitamento das poucas nascentes e da chuva”.

Com capacidade para 1.800 metros cúbicos de água, o reservatório foi inaugurado em 1866, depois de uma seca severa na ilha, e a proveniência “era de uma fonte pluvial, onde a água entrava pelos buracos que estão na cobertura”.

O Reservatório do Atalho “está seco e é uma atração de museu, que impressiona pela sua ideia arquitetónica e pelo seu tamanho”.

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