Açoriano Oriental
Helena Roseta alerta para impacto de corte das horas extraordinárias
A vereadora da Ação Social da Câmara de Lisboa, Helena Roseta, alertou hoje para o impacto do corte nas horas extraordinárias para funcionários do município com salários muito baixos, considerando que estas pessoas poderão ficar em situações "preocupantes".
Helena Roseta alerta para impacto de corte das horas extraordinárias

Autor: Lusa/Aonline

A eleita levou o assunto à reunião privada de hoje da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que suscitou um "momento de alguma tensão" com elementos da oposição e que culminou com a autarca a abandonar temporariamente a sessão, descreveu Helena Roseta à Lusa.

"Chamei a atenção para a necessidade de o despacho do senhor presidente [conhecido na semana passada, que proíbe a autorização da prestação do trabalho extraordinário] ser aplicado com cuidado", relatou a vereadora eleita pelo movimento Cidadãos por Lisboa.

Segundo a autarca, muitos funcionários municipais, como os cantoneiros ou motoristas, têm ordenados-base "muito baixos", na ordem dos 500/600 euros, e para quem o pagamento de horas extraordinárias funciona como um complemento do salário, chegando aos 700/800 euros mensais.

"Há muitos funcionários a quem estas horas fazem muita falta, são pessoas que vão deixar de poder pagar a renda ou a educação dos filhos", alertou, acrescentando que esta posição motivou críticas do vereador do CDS, António Carlos Monteiro, que condenou o facto de este altera partir de um membro da maioria - situação também relatada à Lusa por outras fontes municipais.

A vereadora considera que, apesar de pertencer à maioria, tem o "direito de dizer que isto é preocupante", explicando que, perante o que classificou de "ataques pessoais", acabou por abandonar a sessão camarária, o que justificou com o facto de não ser "masoquista".

Helena Roseta sublinhou que há "responsabilidades repartidas" da Câmara e do Governo: além da questão das horas extraordinárias, os trabalhadores municipais estão confrontados com o corte dos subsídios de férias e Natal, em 2012, e o congelamento das carreiras, criando "condições muito difíceis".

O presidente da autarquia, António Costa (PS), adiantou a vereadora, justificou a medida com a necessidade de fazer frente à quebra da receita do município.

No meio de uma "discussão quente", a vereadora acabou por admitir que talvez não seja "a pessoa certa" para comandar a Ação Social e Habitação Social, "dois pelouros difíceis", uma posição que reafirmou mais tarde à Lusa.

"Qualquer pessoa neste momento que queira governar bem só pode sentir isso. É muito difícil estar no governo da cidade ou do país, nesta altura", disse, acrescentando que, num momento em que chegam cada vez mais pedidos de apoios à autarquia, há menos meios financeiros e os trabalhadores veem as horas extraordinárias cortadas.

"É uma equação difícil", admitiu, acrescentando: "Eu não tenho essa carapaça e não quero ter. Não é aos 63 anos que vou mudar".

A Lusa tentou contactar o vereador António Carlos Monteiro, mas até ao momento tal não foi possível.

 
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