Helena Roseta alerta para impacto de corte das horas extraordinárias

Helena Roseta alerta para impacto de corte das horas extraordinárias

 

Lusa/Aonline   Nacional   9 de Nov de 2011, 15:48

A vereadora da Ação Social da Câmara de Lisboa, Helena Roseta, alertou hoje para o impacto do corte nas horas extraordinárias para funcionários do município com salários muito baixos, considerando que estas pessoas poderão ficar em situações "preocupantes".

A eleita levou o assunto à reunião privada de hoje da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que suscitou um "momento de alguma tensão" com elementos da oposição e que culminou com a autarca a abandonar temporariamente a sessão, descreveu Helena Roseta à Lusa.

"Chamei a atenção para a necessidade de o despacho do senhor presidente [conhecido na semana passada, que proíbe a autorização da prestação do trabalho extraordinário] ser aplicado com cuidado", relatou a vereadora eleita pelo movimento Cidadãos por Lisboa.

Segundo a autarca, muitos funcionários municipais, como os cantoneiros ou motoristas, têm ordenados-base "muito baixos", na ordem dos 500/600 euros, e para quem o pagamento de horas extraordinárias funciona como um complemento do salário, chegando aos 700/800 euros mensais.

"Há muitos funcionários a quem estas horas fazem muita falta, são pessoas que vão deixar de poder pagar a renda ou a educação dos filhos", alertou, acrescentando que esta posição motivou críticas do vereador do CDS, António Carlos Monteiro, que condenou o facto de este altera partir de um membro da maioria - situação também relatada à Lusa por outras fontes municipais.

A vereadora considera que, apesar de pertencer à maioria, tem o "direito de dizer que isto é preocupante", explicando que, perante o que classificou de "ataques pessoais", acabou por abandonar a sessão camarária, o que justificou com o facto de não ser "masoquista".

Helena Roseta sublinhou que há "responsabilidades repartidas" da Câmara e do Governo: além da questão das horas extraordinárias, os trabalhadores municipais estão confrontados com o corte dos subsídios de férias e Natal, em 2012, e o congelamento das carreiras, criando "condições muito difíceis".

O presidente da autarquia, António Costa (PS), adiantou a vereadora, justificou a medida com a necessidade de fazer frente à quebra da receita do município.

No meio de uma "discussão quente", a vereadora acabou por admitir que talvez não seja "a pessoa certa" para comandar a Ação Social e Habitação Social, "dois pelouros difíceis", uma posição que reafirmou mais tarde à Lusa.

"Qualquer pessoa neste momento que queira governar bem só pode sentir isso. É muito difícil estar no governo da cidade ou do país, nesta altura", disse, acrescentando que, num momento em que chegam cada vez mais pedidos de apoios à autarquia, há menos meios financeiros e os trabalhadores veem as horas extraordinárias cortadas.

"É uma equação difícil", admitiu, acrescentando: "Eu não tenho essa carapaça e não quero ter. Não é aos 63 anos que vou mudar".

A Lusa tentou contactar o vereador António Carlos Monteiro, mas até ao momento tal não foi possível.


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