García Márquez afirma sofrer com falta de qualidade do jornalismo escrito

García Márquez afirma sofrer com falta de qualidade do jornalismo escrito

 

Lusa/AO online   Cultura e Social   2 de Set de 2008, 11:27

O prémio Nobel de Literatura 1982, o colombiano Gabriel García Márquez, confessou "sofrer como um cão" pela má qualidade do jornalismo escrito e porque é raro encontrar artigos ou reportagens que sejam "autênticas jóias".
   O autor de "Cem anos de solidão" está em Monterrey, capital do estado de Nuevo León, norte do México, para participar na sétima edição dos prémios atribuídos pela Cementos de México (Cemex) e a Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI) nas categorias de texto, fotografia e carreira aos mais destacados jornalistas iberoamericanos.

    Em conversa com os jornalistas antes de iniciar-se o "VI seminário internacional sobre la busca da qualidade jornalística", em que participam mais de 100 profissionais do sector da América Latina, Europa e Estados Unidos, "Gabo" lamentou que o jornalismo actual se faça tão depressa, em consequência do que os jornalistas não podem pensar melhor o que escrevem.

    Para García Márquez, ele próprio jornalista antes de se dedicar por inteiro à literatura, o jornalismo "é o ofício mais belo" e "contra isso não há nada a fazer".

    "Não há no mundo melhor ofício do que este, mas na minha idade já me aborrece muito", disse.

    Lê diariamente, de manhã, vários jornais e é sempre - classifica - "um desastre", que o faz "sofrer como um cão".

    O Nobel colombiano tem a impressão de que os "media" não dão "tempo suficiente" aos seus jornalistas. "Não lhes dão tempo. Fecham os jornais às 18:00, quando deviam fechá-los às 21:00", observou.

    Consciente de que, agora, ao contrário do que acontecia no seu tempo de jornalista, os jornais "têm de competir" com a rádio e a televisão, "Gabo" está, no entanto, convencido de que a escrita tem uma grande vantagem sobre os meios electrónicos.

    "Escrever - argumentou - sai da alma. Os outros ´media' são aparelhos, são máquinas".

    Nas suas leituras, o escritor encontra muito poucas reportagens ou artigos que possam ser consideradas "jóias" mas, quando isso acontece, pensa: "Quem será este tipo?".

    "Foi sempre assim - reconheceu - , mas, antes, havia uma vantagem: o jornal era mais difícil de fazer e as máquinas nunca funcionavam bem, o que nos dava tempo para pensar um bocadinho"

    "Era essa - disse ainda - a vida dos jornalistas de antigamente. Então, sofríamos tanto que tínhamos de nos emborrachar todas as noites".

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