Açoriano Oriental
Ganho mediano mensal de trabalhadores abaixo de 1.000 euros em 93% dos municípios

O ganho mediano mensal dos trabalhadores por conta de outrem em 2021 ficou abaixo dos 1.000 euros em 285 dos 308 municípios portugueses, correspondentes a 93% dos concelhos, refere um estudo hoje divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Ganho mediano mensal de trabalhadores abaixo de 1.000 euros em 93% dos municípios

Autor: Lusa

Segundo o estudo "Indicadores de assimetria ao nível local e inter-regional", com base nos quadros de pessoal do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em 2021, “o valor mediano do ganho mensal dos trabalhadores por conta de outrem (TCO) a tempo completo com remuneração completa foi de 959,34 euros”.

“Apenas 29% dos TCO registaram valores de ganho mensal superiores ao valor médio (1.289,50 euros). Em 285 (93%) dos 308 municípios, o valor mediano do ganho mensal não ultrapassava 1.000 euros, variando entre 760,40 euros nos municípios de Gavião e Belmonte e 1.781,36 euros em Castro Verde”, lê-se no estudo sobre o ganho mensal por local de trabalho.

Na caracterização da distribuição do ganho mensal ao nível nacional, a mediana – valor que separa em duas partes iguais o conjunto ordenado dos dados – do ganho mensal era de 959,34 euros, o que significava que, em 2021, metade dos TCO auferia mensalmente menos do que esse valor.

O valor da mediana do ganho mensal era inferior ao valor médio (1.289,50 euros), “observando-se uma assimetria da distribuição do ganho mensal com uma maior concentração de TCO com baixos ganhos mensais”, explica o estudo.

O valor mediano do ganho mensal dos TCO foi superior à referência nacional na Área Metropolitana de Lisboa (1.124,60 euros), na região de Leiria (989,90), na Área Metropolitana do Porto (983,25) e na região de Aveiro (981,60), enquanto Alto Tâmega foi a sub-região que registou o menor valor mediano do ganho mensal, 805 euros.

O INE notou que o retrato municipal deste indicador evidenciava que, dos 43 municípios que apresentaram valores medianos de ganho mensal superior à referência nacional, destacam-se aqueles com valores acima de 1.300 euros: Castro Verde (1.781,36), Sines (1.439,60), Oeiras (1.406,84) e Lisboa (1.300,48).

Já o Baixo Alentejo foi a sub-região onde se verificou a maior diferença do ganho mediano mensal entre municípios (987,95): o menor valor registou-se em Barrancos (793,41) e o maior em Castro Verde (1.781,36), ao passo que Terras de Trás-os-Montes registou a menor disparidade no ganho mensal entre municípios: 79,28 euros.

De acordo com o INE, o valor mediano do ganho mensal era mais baixo para os TCO do sexo feminino (896,39 euros) face aos do sexo masculino (1.022) e apenas nos municípios de Oeiras (1.296,49), Lisboa (1.235,44), Porto (1.066) e Campo Maior (1.034,63) o valor mediano do ganho das mulheres ultrapassava os 1.000 euros mensais, isto é, “apenas nestes quatro municípios 50% das TCO que aí exerciam atividade tinham ganhos mensais superiores àquele referencial”.

A Área Metropolitana de Lisboa, que integra 18 municípios, apresentou, em 2021, a maior diferença do valor mediano do ganho mensal entre escalões etários: o maior valor verificou-se no escalão dos 35 aos 54 anos (1.225,25 euros) e o menor no grupo dos 16 aos 34 anos (1.018,32 euros).

“Apesar de ser a sub-região onde se verificava a maior disparidade do ganho mediano mensal entre escalões etários, era também a única onde o ganho mediano ultrapassava os 1.000 euros mensais nos três escalões etários”, apontou o INE.

O ganho mediano mensal dos TCO com ensino superior era superior à referência nacional (1.542,60 euros) em 22 municípios, localizados maioritariamente nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

Por municípios, Vila do Porto (5.020,53 euros) apresentou o maior ganho mediano mensal dos TCO com ensino superior e, com valores superiores a 2.000 euros, destacavam-se Sines, Castro Verde, Oeiras e Amadora.

No mesmo período, a mediana do ganho mensal era inferior para os TCO com contrato de trabalho com termo em comparação com contrato sem termo (858 e 1.021 euros, respetivamente).

O estudo salienta que, em 62 municípios, o ganho mediano mensal dos TCO com contrato com termo era superior ao valor nacional destacando-se, com valores superiores a 1.000 euros, os municípios de Castro Verde (1.542,39 euros), Calheta (1.120,23), Ribeira da Pena (1.028,46) e Oeiras (1.012,94).

Os resultados completos do estudo “Indicadores de assimetria ao nível local e inter-regional/Ganho mensal dos trabalhadores por conta de outrem por local de trabalho” estão disponíveis em www.ine.pt.



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