Futuro do jornalismo é internacional, digital e de qualidade


 

Lusa/AO online   Internacional   16 de Out de 2012, 10:12

O editor do "New York Times", Arthur Sulzberger Jr, afirmou que o futuro do jornalismo é internacional e digital e recusou políticas de redução de custos que redundem em menor qualidade informativa, noticia a agência Efe.

Sulzberger Jr, que participou segunda-feira na 68.ª assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), advogou a aposta em histórias de qualidade e no cidadão como centro da atividade informativa.

“Para nós, o futuro do jornalismo é crescentemente digital e crescentemente global", declarou o jornalista, que realçou que a intenção é distribuir notícias em todas as plataformas disponíveis, acrescentando que o seu jornal já tem dois milhões de assinantes dos formatos impresso e digital.

Acrescentou que a sua missão é criar, juntar e distribuir informação e opinião da “mais alta qualidade” e destacou a vocação internacional que deve a atividade jornalística ter, num contexto em que as notícias circulam a grande velocidade em todo o mundo.

Sulzberger Jr especificou que o seu jornal tem hoje mais correspondentes do que nunca e expressou a sua discordância com a tendência para considerar aceitáveis peças informativas de menor qualidade por pressões financeiras.

Disse ainda que o “New York Times” não vai reduzir as suas atividades no terreno para minimizar custos, como tem ocorrido em demasiadas organizações produtoras de notícias.

Sulzberger Jr acrescentou que o jornalista tem de tratar “todos os dias” de fazer do cidadão o consumidor e o potencial consumidor da parte essencial do seu trabalho.

Previu ainda que se se publicarem peças jornalísticas de qualidade elevada o futuro do jornalismo, que considerou uma profissão absolutamente necessária, permanecerá forte e seguro”, se bem que tenha de se adaptar às mudanças.

O jornalista finalizou a sua intervenção recordando palavras que o seu pai, falecido recentemente, pronunciou há 35 anos, segundo as quais a liberdade para um jornalista consiste em procurar “o caminho da verdade” e em ser livre para criticar.

Sulzberger Jr considerou que a única mudança foi o alcance do trabalho dos jornalistas e as ferramentas ao seu dispor para cobrir o mundo para, como disse, “os cidadãos do mundo”.

Sobre o novo portal para o Brasil, em português e com sede em São Paulo, disse que “este é o momento para investir no país”, elogiando a sua “cultura vibrante” e a “curiosidade intelectual dos brasileiros”, da qual disse que parece “ilimitada”.

O “The New York Times” anunciou no domingo que no próximo ano vai lançar uma edição online em português destinada ao público brasileiro.

Esta nova edição contém traduções em português de artigos do jornal, mas também artigos originais escritos especialmente pelos jornalistas locais para o periódico norte-americano, que representarão aproximadamente um terço da edição, precisou o periódico, em comunicado.


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