Excluir assistência espiritual/religiosa dos hospitais "seria erro clínico gravíssimo" diz Feytor Pinto


 

Lusa/AO Online   Nacional   2 de Dez de 2008, 15:53

O coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, padre Vítor Feytor Pinto, considerou hoje, em Fátima, que a exclusão da assistência espiritual e religiosa dos hospitais “seria um erro clínico gravíssimo”.
“A espiritualidade entra no processo clínico, não é uma coisa pendurada que efectivamente não tem nada a ver com a recuperação dos doentes”, disse à agência Lusa o padre Vítor Feytor Pinto, à margem do XXI Encontro Nacional da Pastoral da Saúde, que debate até sexta-feira “A dimensão terapêutica da espiritualidade”.

    Para o responsável, o tratamento e acompanhamento do doente não é apenas uma questão de intervenção clínica ou de prescrição de fármacos.

    “Quando falamos de saúde, falamos de cuidados integrais”, sublinhou o coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, lembrando que o tratamento do doente é biológico, mas também “psicológico, social, cultural, espiritual e religioso”.

    O sacerdote apontou estudos que dão conta de que “um doente acompanhado espiritualmente e mesmo religiosamente tem mais qualidade de vida a um nível de 78 por cento sobre aqueles que não têm este acompanhamento”.

    Afirmando a espiritualidade como “fundamental” para a recuperação completa de um doente, Vítor Feytor Pinto admitiu, contudo, ter havido durante algum tempo hospitais que “desvalorizavam” esta condição no tratamento.

    “Hoje em dia, os melhores médicos, os melhores professores de Medicina afirmam claramente que o apoio espiritual e mesmo religioso é indispensável para a recuperação integral dos doentes”, declarou o responsável, reconhecendo, no entanto, existirem “alguns clínicos que ainda não compreenderam, porque não apreenderam isto nas universidades”.

    O padre Feytor Pinto lembrou que “há dois ou três anos houve a tentação de excluir - não sei se por critérios economicistas - a assistência espiritual e religiosa dos hospitais”, situação que garantiu “estar completamente ultrapassada”.

    Mais do que “tradição”, neste momento a assistência integral aos doentes nos aspectos espiritual e religioso é uma “constante”, acrescentou o coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde.

    O XXI Encontro Nacional da Pastoral da Saúde reúne em Fátima até sexta-feira cerca de 800 pessoas.

    O objectivo da iniciativa, promovida pela Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, passa por levar os profissionais de saúde a considerar os apoios espirituais como elemento essencial no processo terapêutico.

    Quarta-feira os participantes debatem o tema “A esperança humana e a esperança cristã”, enquanto no dia seguinte está programado um painel inter-religioso com representantes do judaísmo, islamismo, hinduísmo e cristianismo, que vão falar sobre “Experiências religiosas e cuidados médicos e de enfermagem”.

    O encontro encerra na manhã de sexta-feira com a presença da ministra da Saúde, Ana Jorge.

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