Ex-delegado de Saúde quer debate público sobre alegados maus-tratos em Ponta Delgada

Ex-delegado de Saúde quer debate público sobre alegados maus-tratos em Ponta Delgada

 

Lusa/AO Online   Regional   30 de Jul de 2018, 15:32

O ex-delegado de Saúde de Ponta Delgada, Paulo Margato, apelou esta segunda-feira ao Governo dos Açores e à Misericórdia do concelho um debate público que "devolva a verdade" aos açorianos sobre alegados maus-tratos a idosos da região.

Em carta enviada à imprensa, Paulo Margato traça uma cronologia da sua relação quando foi delegado de Saúde com a unidade que, em 2016, encerrou por alguns dias voltando depois a autorizar a sua reabertura.

A "verdadeira questão", começa por referir, é "o idoso, a dignidade da pessoa humana", e o detetar e combate de eventuais "maus tratos e negligência".

Sublinhando ter testemunhado 'in loco' "degradantes e indignas condições de segurança", Margato frisa que mandou encerrar a unidade em 19 de outubro de 2016".

"A muito custo", o responsável diz que reverteu essa decisão dias depois, pois foi possível criar uma "equipa multidisciplinar, com ação imediata", com vista a "assegurar as medidas preconizadas pela delegação de Saúde" para baixar a taxa de mortalidade na instituição.

Após seis meses de atividade, esse grupo "foi retirado da Santa Casa", conta Paulo Margato na carta.

Agora, insta o responsável, é necessário um "debate público" - que aborde também questões como o salário do provedor da Misericórdia de Ponta Delgada - para "que se devolva a verdade ao povo açoriano" e "aos irmãos, famílias e utentes da Santa Casa da Misericórdia" da maior cidade açoriana.

A Misericórdia de Ponta Delgada anunciou já que encomendou um inquérito externo para investigar alegados maus-tratos na instituição, garantindo não ter conhecimento das situações denunciadas numa reportagem da TVI.

A estação televisiva emitiu na semana passada uma reportagem sobre alegados maus-tratos a idosos nas Santas Casas da Misericórdia de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo.

“A Santa Casa não pode ficar indiferente a acusações tão torpes e graves, bem sabendo nós que em todas as instituições públicas ou privadas há sempre falhas a corrigir”, salientou, entretanto, o provedor da Santa Casa de Ponta Delgada, José Francisco Silva.

O responsável disse também estranhar que os médicos que denunciaram o caso “nada tenham visto e reportado” à mesa da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada quando prestavam assistência àquela instituição, e acusou o antigo delegado de saúde de pretender um “ajuste de contas” com o Governo Regional, por ter sido “exonerado do cargo”.

Entretanto, o grupo parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa dos Açores anunciou a criação de uma comissão de inquérito, com caráter potestativo, para investigar os alegados casos de maus tratos a idosos.

Paulo Margato foi detido em outubro ano passado pela Polícia Judiciária na sequência de uma investigação de alegada corrupção em organismos do Serviço Regional de Saúde dos Açores, tendo sido então exonerado do cargo.



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