Europa vai enfrentar no futuro problemas devido a envelhecimento e doenças novas


 

Lusa/ AO   Nacional   12 de Out de 2007, 09:24

O director do Instituto de Higiene e Medicina Tropical alertou hoje para os futuros problemas de saúde pública provocadas pelos alimentos geneticamente modificados e pelos “quadros de doença não previstos ou novos” em consequência do envelhecimento da população.
Jorge Torgal, que hoje fala, na Golegã, aos participantes na reunião dos directores-gerais da Saúde da União Europeia sobre "os problemas de saúde pública no futuro na Europa", disse à agência Lusa que progressos tecnológicos com consequências negativas, como os alimentos geneticamente modificados, vão trazer, dentro de 20 ou 30 anos, "quadros de doença não previstos ou novos".

    O também docente de Saúde Pública da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa vai apresentar três artigos sobre "as lesões graves provocadas em ratinhos" por três alimentos geneticamente modificados - batata, soja e milho -, numa "chamada de atenção para o que pode ser um problema sério no futuro", disse à Lusa.

    Admitindo que existem outros estudos que fazem com que a questão seja "controversa", Jorge Torgal frisou que se trata de um assunto que não deve ser descurado pelos responsáveis.

    Jorge Torgal referiu ainda as questões que vão ser colocadas num horizonte de 20 a 30 anos com o envelhecimento da população, sublinhando que em 2030 haverá 2,5 vezes mais pessoas com 90 anos do que na actualidade.

    "Isto vai obrigar a muitas mudanças na sociedade, não só em termos de cuidados de saúde mas também na garantia de uma boa qualidade de vida", disse, apontando como única resposta o recurso à imigração como forma de preencher as lacunas em termos de pessoal de saúde.

    Outro factor com implicações futuras na saúde pública na Europa é a globalização, disse, apontando em concreto as condições de saúde e de vida nos países em desenvolvimento, com taxas de mortalidade infantil e materna assustadoras, em relação às quais "a Europa não pode dormir tranquila".

    Como exemplos apontou os índices de mortalidade materna (por causas relacionadas com o parto em 100.000 nascimentos com vida), que são de 1.700 por 100.000 em Angola, 1.100 na Guiné-Bissau e 1.000 em Moçambique, contra os quatro em 100.000 em Portugal.

    Outro efeito da globalização são as alterações climáticas, com todas as doenças "emergentes e reemergentes" resultantes dos efeitos do aumento da temperatura, nomeadamente através dos insectos, e do agravamento da resistência aos antibióticos.

    Para Jorge Torgal, outra questão crítica é saber "qual o poder dos directores-gerais de saúde, qual o seu grau de independência face ao poder político, qual a sua força para se oporem à opinião pública face à opinião técnica".

    No seu entender, é necessário discutir a pertinência da existência ou não de uma autoridade europeia da saúde, a exemplo da que já existe nos Estados Unidos.

    "Será que basta coordenação ou é preciso mais do que isso?", interrogou.

    A reunião dos directores-gerais da Saúde dos Estados membros da União Europeia, que decorre no âmbito da presidência portuguesa da UE, iniciou-se quinta-feira com a apresentação de relatórios semestrais de cada país sobre o sector, bem como da delegação da Organização Mundial de Saúde para a Europa e do Conselho da Europa.

    Hoje, além da intervenção de Jorge Torgal, o director-geral da Saúde, Francisco George, apresenta aos parceiros europeus o sistema de alerta automático em caso de epidemias que acabou de ser instalado em Portugal, sendo ainda analisados os programas para o sector da presidência portuguesa e das que se seguem (Eslovénia, primeiro semestre 2008, e França, segundo semestre).
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