Turismo

Europa não está preparada para receber turista chinês

Europa não está preparada para receber turista chinês

 

Lusa / AO online   Economia   22 de Nov de 2007, 14:45

Os países da Europa não estão preparados para receber os turistas oriundos da China, apontada como a próxima potência mundial de emissão e recepção de turistas, defendeu o especialista em turismo asiático Kaye Chon.
"É preciso compreender o comportamento dos turistas chineses e entender as necessidades do turismo asiático para aproveitar o enorme potencial que eles representam", referiu o professor da Universidade Politécnica de Hong Kong.

Kaye Chon falava em Espinho, na IV Conferência Internacional em Hotelaria e Turismo, promovida pelo Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT) e a Associação de Turismo Norte de Portugal (ADETURN).

De acordo com os dados do especialista, em 2006 viajaram 34,5 milhões de milhões de chineses, que gastaram na sua estadia cerca de 25 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros).

Segundo Kaye Chon, entre os 10 destinos preferidos dos chineses Hong Kong, Macau e Japão ocupam as três primeiras posições de uma lista em que apenas a Rússia e os EUA constam como destinos não asiáticos.

Questionado sobre o que motiva o turista chinês a visitar um determinado destino internacional e de que forma Portugal poderá aproveitar "este enorme potencial", o professor explicou "não ser possível generalizar", mas garantiu que estes turistas viajam muito.

O governo da República Popular da China autoriza desde 1997 os chineses a viajarem para fora das suas fronteiras, desde que estes se limitem aos países autorizados (132 actualmente) e o façam em grupo (excepto no caso de se tratar de uma viagem profissional).

"É preciso aproveitar este potencial", frisou o especialista, sublinhando que embora só viaje a classe económica chinesa com maior poder económico, cerca de cinco por cento do total da população, esta representa uma fatia de 65 milhões de chineses a viajar pelo mundo fora.

"É um enorme desafio, porque o turista chinês quer viajar e conhecer o maior número possível de destinos", garantiu.

Para o professor sul-coreano, os turistas não se preocupam em ficar muito tempo em cada destino querem apenas quase "fazer a fotografia", dizer que "estiveram lá", demonstrando apenas algum interesse pela gastronomia local.

Pegando na sua experiência pessoal, Kaye Chong explicou porque razão considera que é preciso que Portugal e toda a Europa se "empenhe" mais em atrair estes turistas.

"Todos os asiáticos dormem de 'sleepers' [espécie de meias para dormir], todos os hotéis na Ásia os têm à disposição dos seus hóspedes, aqui, na Europa nunca encontrei nenhum hotel que os tivesse. Eu já sei, trago sempre os meus de casa", gracejou.

Para o especialista, este é apenas um "pequeno exemplo", porque tudo o resto, especialmente a língua e a aproximação cultural, devem ser trabalhadas.

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