Especialistas de cardiologia defendem medicamentos gratuitos


 

Lusa/AO On Line   Nacional   9 de Abr de 2010, 06:47

Especialistas em cardiologia defendem que os medicamentos para a insuficiência cardíaca sejam gratuitos ou altamente comparticipados, já que é uma doença fatal que afeta mais de 260 mil portugueses.

"Sendo esta uma doença crónica que atinge uma percentagem grande da nossa população, os doentes deviam ter, tal como os diabéticos, a medicação para a sua doença crónica de forma gratuita ou muito comparticipada. Isto é um problema de saúde pública", afirmou à agência Lusa Cândida Fonseca, da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

Segundo o único estudo nacional sobre a insuficiência cardíaca, esta patologia afeta globalmente 4,3 por cento da população portuguesa e "aumenta exponencialmente" a partir dos 60 anos, atingindo cerca de 13 por cento.

"A situação económica não é brilhante, mas a doença crónica tem de ser uma prioridade, e a insuficiência cardíaca faz parte dessas doenças crónicas, tão incapacitante e mais grave em termos de mortalidade do que outras, como a diabetes", sublinhou.

Este será um dos temas a debater hoje no XXI Congresso Português de Cardiologia, que reúne em Lisboa mais de 2000 participantes.

Cândida Fonseca, também Presidente da Comissão Organizadora do Congresso, lembra ainda que os doentes afetados pela insuficiência cardíaca são muitas vezes de grupos socioeconómicos frágeis, o que aumenta a necessidade de tornar a sua medicação gratuita.

"É importante que isto seja entendido também pela tutela e que isto se torne realidade para estes doentes. Continuaremos a sensibilizar a tutela para todos estes aspetos", afirmou à Lusa.

Segundo a especialista, muitos dos novos medicamentos para a insuficiência cardíaca, "uma epidemia do século XXI", ainda não são comparticipados e o seu custo é elevado.

Estes novos fármacos auxiliam, em complemento com outros mais antigos, o tratamento da insuficiência cardíaca e melhoram consideravelmente a taxa de sobrevida.

Cândida Fonseca sublinha que a insuficiência cardíaca é uma doença "fatal", com uma mortalidade superior à maioria das doenças cancerígenas e que "condiciona muito" a qualidade de vida dos pacientes.

A insuficiência cardíaca pode ser definida como um conjunto de doenças que levam a que o coração não bombeie o sangue necessário ao funcionamento dos restantes órgãos, tendo como sintomas o cansaço, a falta de ar ou inchaço nas pernas.

A incidência desta doença tem vindo a aumentar, acompanhando a tendência do envelhecimento da população e é uma das principais causas de internamento hospitalar em pessoas com mais de 65 anos.


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