Genéricos

Especialista desconhece alegado défice na eficácia dos genéricos


 

Lusa / AO online   Nacional   5 de Nov de 2007, 15:29

Um conselheiro da Ordem dos Médicos afirmou esta segunda-feira desconhecer qualquer défice de qualidade dos genéricos, depois de o clínico Hernâni Pinharanda ter dito que, de acordo com a sua experiência, estes medicamentos prolongam o tempo de tratamento.
Ao Rádio Clube Português, o médico Hernâni Pinharanda indicou que com base "empírica e na sua constatação directa" antibióticos e anti-inflamatórios genéricos podem prolongar "três a quatro dias" o tempo de tratamento para "atingir o mesmo efeito".
Contactado pela Lusa, o presidente do conselho consultivo da Ordem dos Médicos para a medicina baseada na evidência, António Vaz Carneiro, disse que as desconfianças relativas aos genéricos terão de ser remetidas para o Infarmed.
"Se houver alguma dúvida quanto à eficácia, os médicos têm que se dirigir ao Infarmed, onde aliás se fazem análises aleatoriamente controlo de qualidade nos seus laboratórios", recordou.
O especialista comentou que "não negando impressões" de médicos sobre alguma falta de eficácia dos genéricos em relação aos medicamentos de marca, a adesão dos doentes aos medicamentos pode ser a chave para uma eventual diferença na obtenção de resultados.
Lembrando os estudos efectuados que provam a desconfiança dos doentes em relação aos genéricos, o especialista indicou que qualquer alteração no "circuito complexo" que começa com a receita médica até à toma do medicamento pode determinar um resultado diverso e não relacionado com a "formulação galénica (composição) do medicamento".
Vaz Carneiro admitiu que a impressão recolhida pelo médico Hernâni Pinharanda pode não ter por base a "qualidade intrínseca dos genéricos", até porque não há razões para acreditar num défice de qualidade, mas na problemática da adesão do doente.
"As impressões subjectivas ou parcialmente objectivas das eficácias terapêuticas são muito complexas de analisar. O que se passa com os medicamentos genéricos também se passa com as moléculas originais. Há doentes que respondem melhor que outros, que respondem com doses diferentes", lembrou António Vaz Carneiro.
O também director do centro de estudos da medicina baseada na evidência da faculdade de medicina de Lisboa sublinhou que há uma grande variabilidade de resposta aos medicamentos que não é previsível e que o método de fabrico de genéricos é idêntico ao dos medicamentos originais e normalmente decorre nos mesmos laboratórios.
"Se há um problema com os genéricos, deve haver também com os originais porque as fábricas são praticamente as mesmas", argumentou.
O especialista defendeu assim que qualquer "impressão subjectiva de eficácia de um medicamento deve ser sujeito escrutínio científico" e, não havendo registo de quaisquer problemas noutros países, terá de se avaliar a situação portuguesa.
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