Açoriano Oriental
Equipa francesa faz primeiro transplante de coração artificial com tecidos biológicos
Uma equipa médica francesa realizou em Paris um transplante que utilizou, pela primeira vez, um coração artificial elaborado a partir de tecidos biológicos, divulgou hoje a empresa responsável pelo desenvolvimento da prótese.

Autor: Lusa/AO online

De acordo com a Carmat, esta prótese, que funciona de forma autónoma, reduz o risco de rejeição.

A operação foi realizada com sucesso na quarta-feira no hospital Georges Pompidou, na capital francesa, e foi concretizada no âmbito de um “ensaio clínico”, referiu a empresa num comunicado.

O coração implantado, segundo explicou a empresa, gera uma circulação sanguínea de forma autónoma a nível fisiológico.

O doente, cuja identidade não foi divulgada, encontra-se sob vigilância, acordado e a comunicar com a família, indicou a mesma nota informativa.

O diretor-geral da Carmat, Marcello Conviti, pediu prudência face aos resultados deste primeiro implante porque “seria prematuro tirar conclusões quando se trata de um único transplante” e porque o período pós-operatório “é ainda muito curto”.

A Carmat apresentou há quatro anos esta prótese com tecidos biológicos como uma solução para “dezenas de milhares” de doentes com insuficiência cardíaca e que não tinham acesso a um dador natural.

Apesar do caráter revolucionário desta técnica, a empresa só conseguiu obter em finais do verão passado a autorização necessária das autoridades sanitárias francesas para realizar o primeiro implante num ser humano.

A empresa acredita que o coração artificial que desenvolveu imita na perfeição o funcionamento de um órgão natural, adaptando-se de forma autónoma ao ritmo da pessoa que recebe a prótese, sem necessidade de um controlo externo.

O coração artificial, desenvolvido a partir de componentes de origem animal, está equipado com sensores eletrónicos e um complexo sistema eletromecânico que deteta, por exemplo, a posição em que se encontra o doente (de pé, sentado ou deitado) e adapta a frequência cardíaca e o fluido às diferentes situações do quotidiano.

A conceção desta prótese, cujo estudo durou mais de 15 anos, é fruto de um trabalho de uma equipa multidisciplinar que envolveu o professor Alain Carpentier, cofundador da Carmat, e engenheiros do consórcio aeronáutico europeu EADS, proprietário do construtor de aviões Airbus.

 
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