Empresas de mediação tentam ultrapassar crise

Empresas de mediação tentam ultrapassar crise

 

Lusa/AO Online   Economia   26 de Ago de 2011, 07:28

As empresas de mediação imobiliária têm conseguido manter algum negócio em tempo de crise através da venda de casas penhoradas pelos bancos, em condições preferenciais e crédito garantido até 100 por cento.

Em entrevista à agência Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Mediação de Imobiliária (APEMI), Luís Lima, adiantou que as imobiliárias têm-se apoiado muito nas vendas de casas dos bancos que querem escoar o “stock” de imóveis penhorados por incumprimento.

“O setor está a viver uma crise intensa e nós vamos conseguindo algum equilíbrio de venda assim. São casas que são colocadas no mercado pelos bancos depois de penhoradas que têm condições preferenciais e crédito e tendo crédito vendem-se”, disse, realçando que os bancos fizeram nos últimos meses parcerias com várias mediadoras imobiliárias.

Luís Lima explicou que este tipo de compra “é uma lufada de ar fresco” para quem quer comprar casa uma vez que neste momento verifica-se um aumento na procura do arrendamento de casas porque os bancos dificultam acesso ao crédito no que diz respeito à compra, que ainda está no topo de preferências dos portugueses.

“Eu até defendo o arrendamento em detrimento da compra mas, a realidade é que gostaríamos que fosse por opção das pessoas e não porque não conseguem crédito para comprar”, disse.

A imobiliária ERA dedica parte do seu negócio a vender casas provenientes da banca, o que contribuiu para um crescimento da empresa no ano passado.

“O ano de 2010 foi o nosso melhor ano de sempre, aumentámos o número de transações em 30 por cento e o de faturação em 24 por cento mas, temos objetivos de continuar a crescer também este ano por via de uma enorme quantidade de casas que vendemos provenientes da banca”, disse à Lusa o diretor-geral da ERA.

De acordo com Miguel Poisson, os bancos, devido à situação de incumprimento por parte dos seus clientes, têm tido dificuldades em vender tantas casas.

“Todos os meses continuam a entrar nos bancos mais casas do que aquelas que saem, por isso, os bancos decidiram assinar protocolos com imobiliárias para o fazerem por eles”, referiu Miguel Poisson, adiantando que a empresa tem neste momento quatro mil imóveis de bancos para vender.

O responsável considera contudo que esta não é uma solução a longo prazo para a sobrevivência das imobiliárias e, como não há mercado de arrendamento em Portugal, apesar do aumento na procura por causa do não acesso ao crédito por parte dos bancos, a ERA decidiu apostar numa plataforma de leilões online de imóveis.

De acordo com a ERA, esta plataforma de leilões permite a compra e venda de imóveis pela Internet em 30 dias “de forma segura e eficaz sem qualquer custo acrescido para o cliente”.

Contactada pela Lusa, também a RE/MAX disse ter apostado na venda de imóveis das instituições bancárias, apesar de o “grosso da faturação da empresa continuar a manifestar-se pelas vendas angariadas em exclusivo” pela imobiliária.

Catarina Água-Mel, do departamento de marketing da RE/MAX Portugal, disse que a empresa assinou acordos com algumas instituições bancárias no sentido de ajudar a vender imóveis penhorados.

“Estes imóveis são uma oportunidade de negócio única de investimento para os clientes por terem garantias de financiamento até 100 por cento, ausência de despesas de dossier e spreads mais competitivos”, adiantou Catarina Água-Mel, realçando que a RE/MAX tem mais de cinco mil imóveis com estas condições nas 220 lojas espalhadas por todo o país.


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