Empresários dos Açores reiteram “profunda preocupação” com turismo

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada reiterou “profunda preocupação” pelo nono mês consecutivo de diminuição homóloga das dormidas na região, com maio a registar uma quebra de 2,2%



Face aos dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores, relativos à atividade turística de maio de 2026, a CCIA refere que “confirmam o nono mês consecutivo de diminuição homóloga das dormidas na região, consolidando um ciclo de perda de competitividade”.

Em comunicado, o organismo alerta que “tem vindo a alertar desde o final do ano passado” para esta realidade.

“Em maio, os Açores registaram 448,7 mil dormidas, menos 2,2% do que no período homólogo. No acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, a quebra ascende já a 5,6%, com uma redução de 4,9% no número de hóspedes”, sustenta a CCIPD.

Para o organismo representativo do tecido empresarial, estes resultados “assumem especial gravidade quando comparados com a realidade nacional, onde, no mesmo mês, as dormidas cresceram 2,8%, demonstrando que o problema não resulta de uma quebra generalizada da procura turística”.

De acordo com a CCIPD, a situação “continua a ser particularmente preocupante no mercado nacional, tradicionalmente o principal mercado emissor para a região”, uma vez que, em maio, as dormidas de residentes em Portugal “diminuíram 11,0%, acumulando uma redução de 10,4% desde o início do ano”.

A organização adianta que também a ilha de São Miguel, “principal destino turístico da região e responsável por cerca de 70% das dormidas, continua a apresentar uma evolução negativa, situação que merece particular atenção pelo impacto que tem na economia regional”.

Paralelamente, o alojamento local “mantém um desempenho muito preocupante, registando uma quebra homóloga de 8,1% em maio e uma redução acumulada de 11,8% desde o início do ano”.

Para a CCIPD, estes resultados “confirmam que os sucessivos alertas efetuados nos últimos meses estavam plenamente justificados”.

Os empresários consideram que “a redução da oferta aérea, a diminuição da concorrência entre companhias, o aumento do custo das ligações e a insuficiente promoção do destino estão hoje refletidos nos indicadores oficiais do turismo”.

Frisando que “é tempo de mudar de rumo”, a CCIPD defende que a região “necessita de uma estratégia mobilizadora que tenha como prioridades a recuperação da capacidade aérea perdida, a captação de novas rotas e operadores, o reforço do investimento promocional nos principais mercados emissores e uma atuação coordenada entre o Governo Regional, a VisitAzores, a ANA e as companhias aéreas”.

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