Empresário moçambicano lança em Lisboa livro sobre amizade com Mandela

Empresário moçambicano lança em Lisboa livro sobre amizade com Mandela

 

Lusa/AO Online   Nacional   19 de Set de 2013, 08:56

O empresário moçambicano Abílio Soeiro, autor de "Obrigado, Madiba", um livro dedicado ao prémio Nobel da Paz Nelson Mandela, de quem é amigo há 15 anos, vai lançar a obra em Lisboa na sexta-feira.

 

Editado pela Kwandika Editora, o livro, cuja apresentação se realiza às 18:00, no Hotel Sheraton, surgiu na sequência de um convite para dirigir o grupo que organizou a inauguração da casa de Nelson Mandela e Graça Machel em Maputo, que proporcionou a Abílio Soeiro a oportunidade de conhecer e tornar-se amigo de uma das famílias mais respeitadas no mundo.

Com "Obrigado Mandela", dirigida ao prémio Nobel da Paz que completou 95 anos a 18 de julho, o empresário moçambicano expressa o seu agradecimento ao líder histórico sul-africano e à sua esposa Graça Machel por tudo o que lhe ensinaram ao longo de 15 anos de convivência.

Em entrevista à Lusa em julho, quando a obra foi lançada em Moçambique, o autor do livro, cujos resultados da venda serão destinados a organizações beneméritas, como o Hospital pediátrico Nelson Mandela, recordou o modo "bastante curioso" como se fez amigo do ícone mundial, cuja relação de amizade "não foi feita diretamente com ele".

"Conheci a família Machel, que, numa primeira abordagem, me convidou para que eu fizesse parte de um grupo que ia organizar a apresentação da sua nova casa em Moçambique. Eu fiz parte disso como diretor de protocolo deste evento", contou Abílio Soeiro, ou "Bio" como é tratado pelo emblemático líder anti-apartheid.

E, inesperadamente, no próprio dia da apresentação, viu-o "a cerca de 30 metros de distância” de si.

"Acenei", relatou, até porque "ninguém fica indiferente quando passa perante uma figura como o Nelson Mandela" e acrescentou: "Ele também me acenou com um sorriso".

Um sorriso que, de resto, permitiu no fim da tarde do mesmo dia, depois de acabar todo o trabalho, que Abílio Soeiro e a sua mulher tivessem a oportunidade de tirar a primeira fotografia ao lado de Nelson Mandela, "um homem com caráter e valores muito fortes", frisou o empresário.

A partir desse momento, houve vários encontros entre ambos na residência de Graça Machel e Mandela, que, aliás "volta e meia estava em Maputo", um dos lugares mais frequentados pelo então Presidente sul-africano, depois de se retirar da política.

No primeiro dia como diretor do protocolo de receção do casal, Abílio Soeiro nunca pensou que se poderia tornar tão próximo de "Madiba", nome de clã pelo qual é carinhosamente tratado Nelson Mandela, não fosse o dia em que a família Soeiro recebeu um convite "para um almoço em privado em dezembro" do ano 2000.

"Foi a partir daí, das nossas conversas, que começa a nascer esta amizade. Foi tudo muito rápido", apontou.

Mas, quinzenalmente, havia sempre um motivo para um café, ou qualquer evento, e mesmo que fosse familiar, os Soeiro eram convidados, lembrou entusiasmado.

"Acredito que ele devia gostar de todo este ambiente de que foi rodeado em Maputo. Ele teve um ambiente fantástico da família moçambicana", a começar pela da mulher, Graça Machel, nascida em Moçambique, assinalou.

"Portanto, quando eu falo da Graça, falo dos filhos, dos netos. Aquele calor humano que ele recebia era qualquer coisa de extraordinário", descreveu.

Para Abílio Soeiro, o lado excecional do comportamento humano dos moçambicanos passava também pela forma como Nelson Mandela se fascinava pelas coisas de Moçambique, como o caranguejo recheado.

"Este era o prato preferido. Mas havia uma particularidade: sempre que ele me convidava gostava de codornizes, mas estas eram preparadas pela minha mulher, porque ela é uma exímia cozinheira. Eram os doces que a minha mulher fazia e essas codornizes. Ele deleitava-se. Comia à mão, aliás, a codorniz é quase mesmo para comer à mão. Ele dizia: ‘Eu quero aqueles passarinhos’. Então, lá tinha as codornizes que adorava. Fazia parte disso: gostar da nossa comida cá de Moçambique", disse Abílio Soeiro.

 


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