Açoriano Oriental
Empresário Mário Ferreira prestes a ser o primeiro turista espacial português

O empresário Mário Ferreira, arguido numa operação que investiga eventuais crimes de fraude fiscal e branqueamento, está prestes a tornar-se no primeiro turista espacial português: a viagem de pouco mais de dez minutos está agendada para quinta-feira.

Empresário Mário Ferreira prestes a ser o primeiro turista espacial português

Autor: Lusa/AO Online

A cápsula autónoma e reutilizável New Shepard da empresa Blue Origin onde seguirão Mário Ferreira de 54 anos, e mais cinco tripulantes descolará do deserto do Texas, nos Estados Unidos, tendo a "janela" de lançamento início previsto para as 14h30 (hora em Lisboa, menos uma nos Açores).

Trata-se do sexto voo suborbital com tripulantes da Blue Origin, empresa aeroespacial dirigida pelo magnata norte-americano Jeff Bezos, que a 20 de julho de 2021 se estreou nas viagens espaciais juntamente com o mais jovem turista, Oliver Daemen, um estudante holandês de 18 anos, filho de um milionário que lhe ofereceu o lugar que tinha comprado por 28 milhões de dólares (27,3 milhões de euros) num leilão com fins beneméritos.

Ao lado de Mário Ferreira, presidente do grupo Pluris Investments, através do qual detém uma posição no capital da TVI e a empresa de cruzeiros Douro Azul, vão estar a engenheira egípcia Sara Sabry, a alpinista anglo-americana Vanessa O'Brien, o cofundador do canal desportivo do YouTube "Dude Perfect" Coby Cotton, o ex-executivo do setor das telecomunicações Steve Young e o especialista em tecnologia Clint Kelly III.

Se tudo correr bem, e à semelhança de outros voos, os seis tripulantes vão transpor a barreira que separa o limite da atmosfera terrestre e o espaço e sentir a microgravidade, numa curta viagem de pouco mais de 10 minutos entre a descolagem (impulsionada por um propulsor) e a aterragem (suavizada por um paraquedas). Nenhum dos tripulantes terá de pilotar a nave, uma vez que é totalmente autónoma.

Mário Ferreira, que em julho foi constituído arguido na "Operação Ferry", que investiga eventuais crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento no negócio da compra e venda do navio Atlântida, já tinha manifestado o seu desejo de ir ao espaço e chegou mesmo a comprar bilhete para voar com uma outra empresa, a Virgin Galactic.

Ao programa da TVI "Conta-me", transmitido no sábado, o patrão desta estação televisiva disse que embarca na viagem da Blue Origin porque acredita na tecnologia e consciente de que "é um desafio" apesar de "alguns riscos" envolvidos, ainda que calculados.

"Tenho noção de que isto será a coisa mais arriscada que fiz na minha vida", assumiu.

Citado esta terça-feira pelo jornal JN, o empresário nortenho adianta na rede social Facebook que levará na viagem uma garrafa de vinho do Porto Vintage.

Desconhece-se ao certo quanto pagou pelo bilhete, mas, segundo a imprensa, o voo pode custar entre 200 mil e 300 mil dólares (195 mil a 293 mil euros).

O logótipo do sexto voo tripulado da Blue Origin ostenta os apelidos dos seus seis tripulantes, aos quais foram atribuídos determinados símbolos. Mário Ferreira é representado por uma caravela, numa alusão à herança portuguesa de exploração dos mares nos Descobrimentos.

Tal como o empresário português, a engenheira egípcia Sara Sabry, simbolizada por pirâmides, inscreverá pela primeira vez o seu país na história do turismo espacial.

Antes de seguir nesta viagem, a anglo-americana Vanessa O'Brien já detinha a proeza de ser a primeira mulher a alcançar a montanha mais alta, o Monte Everest, e o ponto mais profundo da superfície terrestre, na Fossa das Marianas, de acordo com a Blue Origin.

O turismo espacial, por enquanto apenas acessível aos mais ricos, teve um 'boom' em 2021, ano de estreia neste nicho de mercado das empresas aeroespaciais Blue Origin, Virgin Galactic e SpaceX.

Antes de Jeff Bezos, o patrão da Virgin Galactic, o multimilionário britânico Richard Branson, experimentou a 11 de julho do ano passado a microgravidade, por alguns instantes, num voo igualmente suborbital a bordo do avião VSS Unity.

A Virgin Galactic esperava começar com as viagens comerciais propriamente ditas em 2022. Uma viagem de 90 minutos (hora e meia) pode custar 450 mil dólares (440 mil euros).

Em setembro de 2021, numa missão um pouco mais ambiciosa, a SpaceX, do multimilionário Elon Musk, enviou quatro turistas espaciais durante três dias para a órbita da Terra.

O também multimilionário Jared Isaacman comandou a missão e Hayley Arceneaux, de 29 anos, uma sobrevivente de cancro e assistente médica num hospital pediátrico, tornou-se na pessoa mais jovem a voar para o espaço orbital.

A SpaceX, que enviou em 2020 os primeiros astronautas para a Estação Espacial Internacional (EEI) pondo termo à dependência dos norte-americanos do transporte russo, levou em abril último quatro homens - um ex-astronauta, um ex-piloto, um investidor e um empresário - à EEI, num voo organizado por uma outra empresa aeroespacial norte-americana, a Axiom Space.

Com exceção do antigo astronauta da NASA Michael López-Alegría, que faz parte da empresa, os restantes tripulantes pagaram, cada um, segundo a imprensa norte-americana, 55 milhões dólares (53,7 milhões de euros) pela viagem até à EEI, onde estiveram duas semanas a fazer experiências científicas e atividades educativas e comerciais.

A Axiom Space, que pretende criar a primeira estação espacial comercial, cujo primeiro módulo deverá ser lançado em 2024, acordou com a SpaceX um total de quatro missões.

Na sua página na internet, a SpaceX publicita não só voos comerciais para a órbita da Terra, mas também para a órbita da Lua.

Em março de 2021, o excêntrico milionário japonês Yusaku Maezawa comprou oito bilhetes para pessoas do mundo inteiro o acompanharem numa viagem à volta da Lua, prevista para 2023.

O empresário, fundador da ZozoTown, uma plataforma de vendas 'online' de artigos de moda, a maior do Japão, foi o primeiro cliente privado a reservar um lugar no voo operado pela SpaceX. O montante pago não foi revelado.

A 08 de dezembro, Yusaku Maezawa viajou até à EEI, na órbita terrestre, graças a uma parceria entre a agência espacial russa Roscosmos e a Space Adventures, empresa norte-americana que vende exclusivamente voos nas naves Soyuz da Roscosmos com destino à "casa" dos astronautas, que não recebia turistas desde 2009.


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