Emigrantes regressam saudosos a Portugal e apreensivos com a crise do país

Emigrantes regressam saudosos a Portugal e apreensivos com a crise do país

 

Suraia Ferreira - Lusa/ AO online   Nacional   28 de Jul de 2012, 12:18

Na chegada a Portugal para o habitual gozo de férias, os emigrantes que chegavam hoje a Chaves traziam saudades da família, dos amigos, da terra, da comida e do sol, mas também a tristeza de ver um país em crise.

 

Na fronteira de Vila Verde da Raia, em Chaves, porta que recebe nesta altura do ano centenas de emigrantes, os carros de matrícula estrangeira eram hoje uma constante.

Os emigrantes acusavam algum cansaço das "longas" horas de viagem, mas mostravam-se felizes por pisarem o solo do país onde nasceram e ansiosos por reencontrar "tudo aquilo" que tiveram de deixar para trás.

"Estou muito cansado porque estou a conduzir desde às 16:00 horas de sexta-feira e já fiz 1640 quilómetros, mas vale a pena", disse à Lusa Carlos Ferreira, emigrante na França e que tinha como destino Viana do Castelo.

Vir de carro, explicou, é "muito cansativo", mas fica mais barato do que viajar de avião, dá-nos maior mobilidade e tem, dizia entre sorrisos, "uma mala" maior para levar os petiscos da terra.

Quanto a um hipotético regresso a Portugal, o emigrante garantiu que "tão cedo" não volta porque "as coisas estão uma miséria", por isso, prefere "fazer sacrifícios" para ter alguma "estabilidade financeira".

Um português residente há 15 anos na Bélgica e com destino à Régua contou que a viagem teve já uma peripécia: uma multa.

Além da multa, reclamava das três horas que esteve parado numa fila de trânsito em Espanha. "É tão chato", barafustava a filha.

Joaquim Borges, depois de fazer 2000 quilómetros, dizia que o cansaço era muito, mas que era superado pelos "abraços e beijos" da família que já não vê há um ano.

"Quero morrer em Portugal, mas para já não tenho condições de voltar, o país está muito mau, nos noticiários só se fala em crise e, apesar de trabalharmos muito na Bélgica, sempre vemos mais dinheiro", frisou.

Partilhando da mesma opinião, José Mendes, regressado da Suíça e em direção à Lousada, teceu duras críticas ao Governo.

"Eu estive na Suíça, depois regressei a Portugal e, há um ano, tive de voltar para lá porque o nosso primeiro-ministro quer que as pessoas passem fome", relatava exaltado.

E, salientou, "se isto continuar assim não sei onde o país irá parar".

A mulher, triste por ter um filho cá e outro lá, explicava ter "muitas, mas muitas saudades" de Portugal.

Para as superar, comentou José Mendes, "o que vale" é a Internet.

Portugal está em crise, mas o último posto de combustível espanhol, em Feces de Abaixo, e o vendedor de bicicletas de alumínio não, pelo menos, por estes dias.

Os funcionários da gasolineira não tinham "mãos a medir", tal o número de carros, e quem lucra com o "movimento" é o vendedor ambulante.

Agostinho das bicicletas, como é conhecido, faz bicicletas em alumínio com a bandeira de Portugal e dos clubes de futebol (Porto, Benfica e Sporting).

"Graças a Deus tenho muita clientela, os emigrantes gostam das minhas bicicletas para pendurar no carro", ressalvou.

Dentro de um mês, os milhares de emigrantes que aproveitam esta altura do ano para passar férias em Portugal farão nova longa viagem, mas no sentido inverso.


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