Energias alternativas

Director-geral da Energia diz acreditar na biomassa


 

Lusa / AO online   Economia   16 de Nov de 2007, 14:33

O director-geral de Energia, Miguel Barreto, considera que as 15 centrais de biomassa atribuídas por concurso o ano passado têm condições de viabilidade, mas diz que falta logística no país para recolher a biomassa florestal.
“O dimensionamento das centrais foi feito tendo em conta o potencial [de biomassa florestal] existente em Portugal, em articulação com a Direcção de Recursos Florestais”, afirmou em declarações à Lusa.
Miguel Barreto admitiu que não existe ainda “extracção suficiente” de biomassa para as necessidades das centrais, mas considerou que a biomassa existe, faltando “logística florestal para a ir recolher nas zonas onde o risco de incêndio é maior”.
“A biomassa não está disponível porque não existe logística, não existem empresas, nem soluções para a extrair”, afirmou.
O director-geral de Energia espera, contudo, que a entrada em funcionamento das 15 centrais atribuídas, num total de 100 megawatts (MW), venha a dinamizar as soluções logísticas para a sua recolha.
O responsável acredita que as 15 centrais são viáveis e que o “concurso tentou criar o máximo de garantias” nesse sentido, ao exigir a apresentação de “um estudo potencial de recurso florestais”.
 A central é adjudicada à entidade que tiver mais contratos de fornecimento de recursos e há propostas que chegam a ter 900 contratos de fornecimento florestal para quase 70 por cento das necessidades”, explicou.
O problema, no entanto, parece residir no preço pago pelas centrais aos produtores florestais e á tarifa fixada para a energia eléctrica produzida a partir de biomassa, já que se tem assistido nos últimos tempos à exportação de milhares de toneladas de biomassa para outros países europeus que pagam melhor.
Miguel Barreto admite que os “modelos de apoio a este tipo de energia existente nos vários países europeus, pode criar algum fluxo num sentido ou noutro”.
O jornal “Expresso” noticiava recentemente que milhares de toneladas de resíduos florestais estavam a sair do país, nomeadamente rumo a Itália, porque os fornecedores recebem 40 euros por tonelada, face aos 25 euros pagos pelas centrais em Portugal.
Simultaneamente, a tarifa paga em Portugal por megawatt/hora (MWh) para energia a partir de biomassa ronda os 100 a 105 euros, enquanto que noutros países, como a Alemanha, atinge os 170 euros por MWh.
A tarifa fixada é um dos problemas apontados para o baixo custo pago pela tonelada de biomassa florestal, que por sua vez não incentiva a recolha já que se estima que a limpeza de um hectare de mata e floresta custe cerca de 500 euros.
Produtores florestais, reunidos em Outubro na conferência "Da Biomassa à Energia", realizada em Castelo Branco, já tinham alertado para a facto do preço pago pela matéria-prima poder inviabilizar economicamente as 15 centrais de biomassa.
A opinião generalizada foi a de que 25 euros por tonelada de biomassa, pagos à porta da fábrica, são insuficientes para compensar os custos de exploração e transporte da matéria-prima.
Alguns produtores defenderam que apenas um preço entre os 37 e os 40 euros por tonelada será suficiente para viabilizar o fornecimento de biomassa às centrais.
Os objectivos do Governo ultrapassam, no entanto, em muito, as 15 centrais com uma potência instalada de 100.
Até 2010, o Governo quer criar uma rede descentralizada de centrais de biomassa, com potência total de 250 megawatts (MW), num investimento que pode ascender a 500 milhões de euros e criar entre 500 a 1000 postos de trabalho.

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