A direção do Clube de Ténis de São Miguel (CTSM) demitiu-se na sequência da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada a 15 de junho, desgastada com as constantes críticas de que foi alvo durante o seu mandato.
Em comunicado enviado ao jornal Açoriano Oriental, documento assinado pelo presidente cessante António Damião, a direção esclarece que a ordem de trabalhos da AGE incluía a discussão e a apreciação da atuação da direção, a eventual votação da sua destituição e a deliberação sobre a realização de uma auditoria externa às contas e à gestão do clube. No decurso da reunião, a direção apresentou um requerimento que propunha inverter a ordem das deliberações: que a assembleia decidisse primeiro sobre a auditoria externa e que qualquer decisão definitiva sobre a destituição só fosse tomada depois de concluída essa auditoria e de os resultados serem dados a conhecer aos associados.
Esse requerimento, segundo o comunicado, não obteve aprovação da assembleia e a direção sublinha que a proposta não visava impedir qualquer decisão dos sócios, mas apenas garantir que a auditoria — já prevista na própria ordem de trabalhos — precedesse uma deliberação definitiva sobre a destituição.
Antes de qualquer votação sobre essa matéria, os membros da direção entregaram à mesa da Assembleia Geral uma declaração escrita conjunta, destinada a eventual registo em ata. Nesse documento, rejeitam a qualificação da sua gestão como danosa ou negligente e manifestam total disponibilidade para colaborar com a auditoria externa e com quaisquer outros mecanismos de verificação independente que venham a ser determinados.
Foi nesse contexto, refere o comunicado, que a direção decidiu apresentar a demissão em bloco. Os dirigentes cessantes fazem questão de esclarecer que esta decisão “não representa uma recusa de escrutínio”, defendendo antes que reforça a necessidade de os factos serem apurados “com rigor, contraditório e independência”, de forma a proteger o clube, os projetos em curso, a sua reputação institucional e a relação com sócios, comunidade, entidades oficiais, parceiros e financiadores.
O comunicado é particularmente enfático quanto à gravidade das acusações que terão circulado no contexto associativo, com a direção cessante a sublinhar que uma imputação de gestão danosa é “de especial gravidade” e que não se transforma em facto provado apenas por ser repetida publicamente ou invocada em sede associativa — numa alusão direta às críticas que motivaram a convocação da AGE.
Apesar da saída, os antigos dirigentes do CTSMgarantem que vão continuar disponíveis para colaborar com a transição institucional, com a realização da auditoria externa e com todos os procedimentos necessários à salvaguarda dos interesses do Clube.
Ao mesmo tempo, deixam um aviso: perante eventuais imputações que se revelem infundadas, lesivas do bom nome dos seus membros ou contrárias à verdade dos factos que vier a ser apurada, reservam-se o direito de recorrer aos meios estatutários e legais adequados para defender a sua honra e reputação.
AGE convocada por sócios
A AGE do passado dia 15 de junho foi formalizada a 8 de maio na sequência de um requerimento apresentado por um grupo de associados do CTSM.
A iniciativa pretendia que os sócios discutissem e deliberassem sobre a situação institucional, financeira e desportiva do clube e entre os fundamentos invocados pelos subscritores constam a alegada falta de apresentação do relatório e contas anuais, incumprimentos estatutários no funcionamento dos órgãos sociais, atos de gestão considerados danosos ou negligentes, redução significativa da atividade desportiva e uma quebra de confiança face à atual direção.
O requerimento pedia, também, que a assembleia deliberasse sobre a atuação da direção, a eventual destituição dos dirigentes, a realização de uma auditoria externa e independente às contas e à gestão, a constituição de uma Comissão de Gestão provisória e a definição de um calendário para eleições antecipadas.
Os promotores consideram a iniciativa “um exercício legítimo” de participação associativa em defesa da transparência e da sustentabilidade do CTSM.
Na sequência da AGE, que contou com a participação do número recorde de 126 sócios e na qual a direção do CTSM apresentou a sua demissão, o associado Paulo Pacheco, um dos subscritores do referido requerimento a solicitar a AGE, revelou à Antena 1/Açores que vai apresentar uma lista às próximas eleições, com o objetivo de devolver estabilidade institucional e rigor de gestão ao clube.
