Egipto

Democracia "não significa ocidentalização"

Um jornal chinês advertiu hoje que a vaga de democratização em curso no Egito e Médio Oriente “não conduzirá a uma ocidentalização global” e poderá mesmo fazer emergir “governos mais anti-ocidentais” do que as antigas ditaduras.


“O poder de atração dos países ocidentais não assenta no seu programa político, mas no estilo de vida, parcialmente alcançado com recursos globais”, diz o Global Times num editorial intitulado “democracia é mais colorida do que se imagina”.

Publicação em língua inglesa do grupo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês, o Global Times considera que “é imprudente concluir que a revolução egípcia é uma vitória do Ocidente”.

“Na perspetiva da História, a vaga global de democratização irá acabar com um mundo centrado no interesse ocidental” e no caso do Egito, “os militares apoiados pelos Estados Unidos e os democratas vão competir com a Irmandade Muçulmana”, diz o Global Times.

O jornal refere que nos últimos anos, Venezuela, Bolívia, Equador e outros países da América Latina “elegeram governos esquerdistas” que “são mais anti-americanos e anti-ocidentais que os anteriores governos militares”.

“A revolução egípcia foi aplaudida pelo Ocidente, o Irão e o Hamas, num fenómeno demasiado raro. A História demonstrará que alguns deles estavam a rir amargamente”, conclui o editorial.

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