Crise leva pessoas a engordar por comerem mais barato e a dormir pior

Crise leva pessoas a engordar por comerem mais barato e a dormir pior

 

Lusa/AO Online   Nacional   20 de Nov de 2012, 06:31

O consumo de alimentos mais baratos por causa da crise está a provocar um aumento do número de pessoas obesas, que dormem cada vez pior devido a problemas respiratórios, segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN).

Vítor Oliveira falava à agência Lusa a propósito do Congresso de Neurologia 2012, que decorre entre quinta-feira e domingo, em Lisboa, e que este ano é dedicado ao sono.

Sublinhando que “passamos um terço da nossa vida a dormir” e que, por isso, convém que esse sono seja de qualidade, Vítor Oliveira reconheceu que os tempos de crise conduzem a várias situações que afluem para um sono de pior qualidade.

Com a crise, “as pessoas ficam em situações de mais ansiedade e depressão” e, por isso, “dormem pior”.

“Estas pessoas não têm níveis profundos de sono, o que tem repercussões no dia-a-dia, como dores de cabeça ou um fraco rendimento profissional”, disse.

O neurologista identifica outra questão relacionada com a crise que é o aumento da obesidade associado a uma alimentação de pior qualidade.

“O empobrecimento leva as pessoas a comer pior, nomeadamente alimentos mais baratos. Por isso é que há cada vez mais gordos, pois as pessoas fogem para o que é mais barato”.

A obesidade é, segundo Vítor Oliveira, um fator importante para as dificuldades no sono, nomeadamente a apneia obstrutiva do sono, pois “as pessoas mais gordas têm dificuldade em respirar”.

Os especialistas recomendam, por isso, uma maior atenção aos alimentos que se ingerem e defendem a prática desportiva que “não precisa de ser em ginásios, pois quem corre na rua ainda não paga impostos”.

Vítor Oliveira considera que, “por parte da população, as patologias do sono não são devidamente valorizadas, assim como a importância de dormir o tempo suficiente e dormir bem”.

“Apesar de estarmos em crise económica e sermos todos os dias incentivados a poupar, a economia do sono não pode, nem deve, existir”, alertou.

A relação do sono com patologias como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), as cefaleias, a depressão, doença de Parkinson ou as demências serão temas em destaque no Congresso de Neurologia.


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