Crise económica contribui para mais riscos no mar


 

Lusa / AO online   Nacional   3 de Dez de 2011, 17:24

O naufrágio do ‘Virgem do Sameiro’ é exemplo do “número anormal” de acidentes no mar que tem ocorrido desde 2010, uma tendência relacionada com os efeitos da crise económica, disseram hoje dirigentes da Mútua dos Pescadores.

“Uma coisa está ligada à outra. Os pescadores, na sua maioria, estão dependentes do que pescam, aproveitam todo o bom tempo para ir ao mar, e por vezes até vão com mau tempo”, disse hoje José António Amador, presidente da Mútua, uma cooperativa de seguros da pesca com 15 mil associados, durante uma conferência de imprensa em Lisboa.

“Tem a ver com a crise, e com o que se ganha no mar, e com as questões da vida rude que estes homens têm”, acrescentou Amador.

Os seis tripulantes da embarcação de pesca ‘Virgem do Sameiro’ foram resgatados com vida na sexta-feira depois de terem estado três dias perdidos em alto mar, numa balsa.

Segundo a Mútua de Pescadores, incidentes como este estão a aumentar nos últimos dois anos: “Das 44 mortes por naufrágio verificadas entre 2000 e 2011, quase metade [21] correspondem” aos últimos dois anos, lê-se num comunicado da Mútua. O número “só não é muito superior graças à taxa de sucesso do nosso serviço de busca e salvamento”, de que o caso do ‘Virgem do Sameiro’ é “um feliz exemplo”.

Amador nota que na pesca “escasseiam os profissionais”, que “trabalham horas demais”.

Jerónimo Teixeira, diretor-geral da Mútua, argumenta que há “falta de tripulações qualificadas”.

Notando que ainda não há “muita informação disponível” sobre o caso do ‘Virgem do Sameiro’, Teixeira diz contudo que “dá para perceber que só dois tripulantes tinham consciência dos atos a empreender” em caso de um acidente grave, “o mestre e um tripulante, de nacionalidade ucraniana”.

Estes dois homens “foram vitais para que os outros se salvassem”: “Se não fosse por eles, teríamos a lamentar seis mortos.”

Teixeira acrescenta que “há falta de tripulações qualificadas” no setor da pesca em Portugal: “Temos dito às autoridades que corremos o risco de estar muito preocupados com os recursos, os peixinhos, e [ignorar] o recurso principal, que são os pescadores”, afirmou o diretor-geral da Mútua dos Pescadores.

“Está-se neste momento a tomar mais medidas do ponto vista da ecologia e menos do ponto de vista da preservação da vida humana. Sem tripulantes [bem qualificados], a pesca dá resultados destes”, concluiu.


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