Corrida à liderança da ONU continua na próxima semana com audição de diplomata do Equador

A diplomata do Equador María Fernanda Espinosa Garcés será ouvida na próxima segunda-feira em Nova Iorque como candidata à sucessão do português António Guterres na liderança da Organização das Nações Unidas (ONU).



Será o quinto diálogo interativo com candidatos ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas, depois da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, da ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan e do ex-presidente senegalês Macky Sall, já terem sido ouvidos em abril.

María Espinosa Garcés entrou na corrida só em meados de maio, pelo que terá o seu primeiro diálogo interativo na próxima semana.

Nessa ocasião, a diplomata nomeada pela Antígua e Barbuda terá a oportunidade de apresentar a sua visão para o futuro da ONU e responder a perguntas dos Estados-membros e da sociedade civil sobre a sua experiência e qualificações de liderança, planos de reforma da organização e os três pilares da ONU: paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos.

Cada potencial candidato teve de ser oficialmente indicado por um Estado ou grupo de Estados, mas não necessariamente pelo seu país de origem.

Todas as sessões de diálogo interativo são transmitidas 'online' e decorrem na sala do Conselho de Tutela das Nações Unidas, um dos seis principais órgãos da organização, em Nova Iorque.

A sessão de María Espinosa Garcés, tal como dos restantes candidatos, durará três horas, período que será dividido, numa primeira fase, em torno das declarações de visão pessoal e das competências de gestão do candidato.

Na segunda parte, serão abordados três pilares: a paz e a segurança, o desenvolvimento sustentável e o clima, e os direitos humanos.

“A escolha do próximo líder da ONU tem implicações de longo alcance, que vão muito além dos corredores das Nações Unidas. Garantirei que os Estados-membros e o público em geral tenham a oportunidade de ouvir todos os candidatos e avaliar as suas qualificações necessárias para conduzir eficazmente a ONU e defender a Carta das Nações Unidas no século XXI”, enfatizou hoje a presidente da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock, responsável por coordenar o processo.

A próxima pessoa a chefiar o Secretariado das Nações Unidas iniciará o mandato de cinco anos em 01 de janeiro de 2027, sucedendo ao antigo primeiro-ministro português António Guterres.

Em consonância com uma tradição de rotação geográfica, nem sempre observada, a posição de secretário-geral da ONU está a ser reivindicada pela América Latina.

Já se passaram 35 anos desde que um latino-americano liderou a ONU. A região argumenta que ignorar essa tradição agora quebraria o pacto informal e não escrito que mantém o equilíbrio geográfico da ONU.

Contudo, muitas nações africanas argumentam que, como Guterres (Europa Ocidental) representou uma "interrupção" na rotação em 2016 (informalmente, era a vez da Europa Oriental), o ciclo está efetivamente quebrado e alegam que o fardo da manutenção da paz de África confere ao continente o direito de liderar.

Muitos países também defendem que uma mulher ocupe o cargo pela primeira vez nos 80 anos de história da ONU.

Contudo, são os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, que devem iniciar o processo de seleção até ao final de julho, que realmente têm a decisão nas mãos.

É apenas por recomendação do Conselho de Segurança que a Assembleia-Geral pode eleger o secretário-geral para um período de cinco anos, renovável por mais um mandato.

O Conselho de Segurança realizará votações secretas – chamadas de votações informais – até que chegue a um consenso.

Por fim, os cinco membros permanentes do Conselho com poder de veto — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França — devem concordar com um candidato.

O Conselho adotará então uma resolução, tradicionalmente a portas fechadas, recomendando uma nomeação para a Assembleia-Geral. A resolução precisa de nove votos a favor e nenhum veto para ser aprovada.

A Assembleia-Geral, assim como líderes mundiais através do Pacto para o Futuro, incentivaram todos os Estados a considerarem a nomeação de candidatas mulheres.

A carta de competências exige que o próximo secretário-geral demonstre fortes capacidades de liderança, dedicação e eficácia, com experiência em estruturas de governação, assim como em relação às Nações Unidas e à gestão da instituição à luz das reformas.

Embora a escolha de um secretário-geral da ONU seja sempre um momento de grande atenção no universo dos assuntos multilaterais, a eleição deste ano chega num momento de grave crise multidimensional da instituição, que tem em risco a sua influência e orçamento.

António Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017, tendo sido reconduzido para um segundo mandato, que termina no final de 2026.

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