Butão

Coroado o mais jovem soberano do Mundo

Coroado o mais jovem soberano do Mundo

 

Lusa/AOonline   Internacional   6 de Nov de 2008, 10:44

O Butão, reino budista da cordilheira dos Himalaias, coroou esta quinta-feira um soberano de 28 anos, formado em Oxford, que assume o trono de uma jovem monarquia parlamentar que aspira a desenvolver-se, mas mantendo as suas tradições.
A coroação de Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, o mais jovem rei do mundo, assinala um processo de liberalização e modernização lançado em 2001 pelo pai do rei, Jigme Singye Wangchuck, que abdicou no final de 2006 depois de se tornar conhecido pelo sua filosofia da Felicidade Interna Bruta (FIB) em vez de PIB (Produto Interno Bruto).

    O quinto "Druk Gyalpo" (Dragão da Dinastia Wangchuck) assumiu as rédeas da "Terra do Dragão Trovejante" numa cerimónia solene faustosa realizada na sala real do Forte de Thimbu.

    O pai do novo monarca colocou sobre a cabeça do quinto "dragão" da dinastia Wangchuck a tradicional coroa em forma de corvo após o canto de versículos budistas.

    A coroação ocorreu às 8:31 locais (02:31 em Lisboa), num momento previsto pelos astrólogos da Casa Real, como indicou quarta-feira o primeiro-ministro, Jigme Thinley.

    Com o principal líder espiritual do Butão, Je Khenpo, como mestre-de-cerimónias, Khesar assumiu o trono e os monges iniciaram as oferendas, num ritual budista elaborado e que demorará várias horas.

    Thinley e outras autoridades entregaram ao monarca pequenos objectos representativos da tradição budista como a roda do "dharma" (lei natural), um elefante como símbolo de força e um cavalo, sinal de velocidade, entre outros objectos.

    A coroação, transmitida pela emissora de TV estatal butanesa "BBS", contou com a presença da presidente indiana, Pratibha Patil, como convidada de honra, e também foi assistida pela presidente do governante Partido do Congresso da Índia, Sonia Gandhi.

    Nos próximos dois dias decorrerão festas com danças tradicionais dos diferentes grupos étnicos do país e concursos culturais num estádio da capital do remoto reino dos Himalaias.

    O Butão elegeu, no passado dia 24 de Março, nas primeiras eleições democráticas de sua história, um governo e um Primeiro-ministro, Jigmi Thinley, líder do Druk Phuensum Tshogpa (Dpr), Partido do Butão Unido.

    O voto foi promovido pela família real que disse querer transformar a pequena nação budista numa monarquia constitucional. O pequeno estado himalaico, de 670.000 habitantes, permaneceu durante séculos desconhecido dos ocidentais, à excepção dos jesuítas do século XVII e de emissários britânicos sob a colonização da Índia.

    O Butão nunca foi colonizado, e antes da tomada de poder da Dinastia Wangchuck, em 1907, o país estava dividido em muitos potentados.

    Até à década de 1960 não tinha estradas, nem telefone, nem moeda. O país só se abriu verdadeiramente ao mundo na década de 70, mas faz ainda uma selecção dos turistas, concedendo vistos que custam 200 dólares por dia.

    A televisão só foi autorizada em 1999. A venda de tabaco foi proibida desde 2005.

    Este país dos Himalaias, conhecido como a Terra do Dragão, foi governado por monges até 1907, data em que foram substituídos por um monarca (o Druk Gyalpo), conhecido por Rei-Dragão.

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