Conferência em Paris pode trazer desenvolvimentos sobre vacina da SIDA

Conferência em Paris pode trazer desenvolvimentos sobre vacina da SIDA

 

Lusa / AO online   Internacional   18 de Out de 2009, 13:42

Especialistas em infecciologia consideram que a conferência sobre HIV/sida, que segunda-feira começa em Paris, pode trazer desenvolvimentos importantes para a área da vacinação, apesar de reconhecerem que a criação de uma vacina eficaz não acontecerá num futuro próximo.

Delegados e especialistas de todo o mundo juntam-se a partir de segunda-feira na capital francesa para participar na Conferência Internacional sobre Vacinas HIV/sida, onde, entre outros aspectos, será apresentado um relatório detalhado dos testes realizados na Tailândia que alegadamente permitiram desenvolver uma vacina capaz de reduzir o risco de infecção em 30 por cento.

As primeiras conclusões tornadas públicas sobre a vacina, que foi testada em mais de 16 mil voluntários e combina duas vacinas que anteriormente se tinham revelado ineficazes, criaram grandes expectativas numa possível cura para o flagelo da sida, depois de, durante mais de 20 anos, os ensaios terem redundado em fracassos.

Apesar de destacarem que “nunca antes se tinha atingido um nível de protecção tão alto”, médicos especializados em infecciologia contactados pela agência Lusa pediram contenção quanto às expectativas de, num futuro próximo, ser possível descobrir uma vacina eficaz que garanta um nível de protecção suficientemente alto para poder ser aplicada na prática.

“Esta conferência vai trazer novas informações sobre o desenvolvimento das vacinas e formas de investigação desenvolvidas. Todavia, os resultados até agora alcançados ainda estão muito aquém das expectativas”, observa Francisco Antunes.

O especialista em doenças infecciosas admite também que ao desconhecerem-se ainda “factores como a patogénese da infecção do HIV” não podem ser esperados grandes resultados na investigação. “Tenho grande expectativa, mas, neste momento, não se vislumbra a identificação de uma vacina eficaz. Há que continuar a investigar”, salienta.

Opinião partilhada por Eugénio Teófilo, médico especialista em infecciologia clínica, que lembra que a “vacina foi apresentada com uma taxa de protecção de 30 por cento, valor, que, depois da reanálise, baixou para um valor bastante inferior”.

“Mesmo que a vacina garantisse uma protecção de 30 por cento, um terço é ainda muito aquém dos 70 por cento necessários para que possa ser aplicada na prática corrente”, refere, por sua vez, Francisco Antunes.

Contudo, os dois especialistas consideram que “não se voltou à estaca zero” e que no maior estudo de uma vacina para o HIV conduzido até hoje foram alcançados progressos importantes.

“Voltámos um pouco atrás, mas não à estaca zero. Foi uma descoberta importante para aumentar o know-how sobre as várias formas de produzir vacinas e os erros agora apurados vão permitir verificar o que tem de ser mudado”, reconhece Eugénio Teófilo.

Por outro lado, o mesmo especialista lembra que apesar das dificuldades na vacinação, “os avanços em termos de medicamentos para o HIV têm sido significativos”.

“Temos medicamentos mais potentes e menos prejudiciais, capazes de controlar melhor a multiplicação do vírus, que facilitaram bastante a medicação”, destaca.

Quanto ao aumento dos novos casos de infecção na faixa etária dos 20-30 anos em Portugal e no mundo, ambos salientaram a importância de “repensar as campanhas de sensibilização, que já não estão a atingir os jovens”.

“A sida já não é o papão que era nos anos 80 e esta geração parece preocupar-se menos com uma possível infecção. Isso não pode ser perdido de vista”, frisa Eugénio Teófilo.


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