Com o cair da noite, menos "coletes amarelos" em Paris e mais jovens de cara tapada

Com o cair da noite, menos "coletes amarelos" em Paris e mais jovens de cara tapada

 

Lusa/Ao online   Internacional   24 de Nov de 2018, 19:27

Os chamados "coletes amarelos", que hoje se manifestaram em Paris, começaram a dispersar com o cair da noite, mas os Campos Elísios e os arredores do Palácio do Eliseu estão repletos de grupos de jovens encapuzados.

Ao final da tarde em Paris, a polícia intensificava os esforços de desmobilização com o lançamento de granadas de gás lacrimogéneo.

Os Campos Elísios estão, esta noite, irreconhecíveis. Paragens de transportes públicos, montras e esplanadas estão completamente destruídas, contrastando com as luzes de Natal, acesas na quinta-feira passada com pompa e circunstância pela presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo.

Na própria avenida e nas imediações, as barricadas erguidas ao longo da tarde pelos "coletes amarelos" estão a arder alimentadas por lixo, motas ou bicicletas, segundo constatou a Lusa no local.

Com muito menos manifestantes do que à hora de almoço, os "coletes amarelos", muitos vindos de outras partes de França, começaram a desmobilizar com o cair da noite em Paris.

"Viemos pacificamente. Durante o dia todo levámos com o gás lacrimogéneo, mas mantivemo-nos calmos. Claro que houve as barricadas incendiadas durante o dia, mas sentíamo-nos seguros. Daqui a pouco vamos para casa", disseram à Lusa três amigos vindos de Besançon, no leste da França.

Queixam-se da forma como a polícia recebeu os manifestantes, dizendo que a utilização de gás lacrimogéneo e dos canhões de água não foi justificada.

Ao mesmo tempo que os “coletes amarelos” partem, grupos de jovens vestidos de negro e com máscaras vão tomando os pontos estratégicos da avenida.

A polícia, por seu lado, endureceu na ‘carga’ de gás lacrimogéneo e na utilização dos canhões de água, sem entrar em confronto direto com os manifestantes.

Alguns lojistas, que vieram trabalhar nas lojas dos Campos Elísios, continuam barricados, espreitando por uma oportunidade para escapar a este braço de ferro entre polícia e manifestantes.

Nos protestos de hoje, oito pessoas ficaram feridas, incluindo dois polícias, e 35 foram interpeladas, tendo 22 ficado detidas, segundo um balanço do Ministério do Interior.

De acordo com a mesma fonte, perto de 81.000 "coletes amarelos" protestavam hoje cerca das 15:00 (14:00 em Lisboa) em toda a França, 8.000 dos quais em Paris. No passado sábado à mesma hora eram 244.000 no total.

Os "coletes amarelos" são um movimento cívico à margem de partidos e sindicatos, criado nas redes sociais e alimentado pelo descontentamento da classe média-baixa, tendo surgido inicialmente como protestos contra o aumento dos combustíveis, mas alargando o descontentamento em relação a várias medidas do Presidente Emmanuel Macron.




Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.